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sábado, 24 de agosto de 2013
Deveras
A intuição se envaideceu
da desilusão que
deveras foi anunciada.
Só ela sabe como isso termina
[ponto final]
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Embaixada
A noite toda foi de rock,
na manhã fria e cinzenta,
minha alma encarnada era umas das poucas
que circulavam nas ruas do centro.
Sem sono anterior,
vaguei com invejável atenção,
senti a arquitetura,
respirei possibilidades,
visualizei os sonhos verdadeiros.
Na cabeça tocava Barão Vermelho,
um pingue-pongue entre passado e futuro
travava uma disputa justa...
Por fim, atualizei minhas potências
em frente a Embaixada dos Estados Unidos da América.
O futuro venceu,
o passado reconheceu,
e o presente se compadeceu.
O que aconteceu depois?
Ah, o domingo e o seu silêncio.
domingo, 24 de março de 2013
A cultura da desilusão
![]() |
Até que ponto podemos manter uma ilusão latente sobre os nossos anseios quando constantemente somos frustrados, desconsiderados e ridicularizados? |
Quando decido escrever sobre algum tema, seja
ele qual for, prefiro sempre lançar o meu olhar sobre a etimologia da palavra,
a curiosidade aponta para o que aquele termo escolhido tem a falar na sua
essência. É um caminho surpreendente, pois a partir das definições primárias, a
minha capacidade de reflexão se potencializa e a oportunidade de compartilhar
com o leitor ganha um poder incalculável.
Após alguns dias de intensa observação e
também de análise das muitas experiências dos últimos anos, quiçá de uma vida
inteira, tenho percebido que dois vocábulos diferentes na significação estão
não somente andando de mãos dadas, como muito bem casados, digo assim para
trazer uma imagem poética da situação que no fundo me deixa preocupado, e,
portanto, me faz escrever.
O nosso ponto de partida é a palavra “cultura”,
do latim colere significa cultivar, é
uma definição ampla na sua origem, mas que ao longo da história ganhou mais
especificidades pelos grandes pensadores em suas devidas áreas, são ao menos
200 tentativas. Quero pensá-la aqui como um hábito, uma crença analisada e uma
postura consciente diante do que vemos do mundo.
Outra palavra que acrescento nesta reflexão é
“desilusão”, variante de ilusão que vem do verbo em latim illudo (divertir-se, recrear-se, também burlar e enganar). Iludir
se configurou na língua portuguesa com o sentido de uma impressão enganosa ou
ter a esperança de algo desejável. Sendo assim, posso definir desilusão como a
perda temporária ou definitiva desta esperança, independentemente do grau, há
sempre a presença da decepção, uma palavra calejada e muito conhecida quando o assunto
é conquistas culturais e suas atribuições em todos os âmbitos.
Até que ponto podemos manter uma ilusão
latente sobre os nossos anseios quando constantemente somos frustrados,
desconsiderados e ridicularizados? Posso acreditar que haverá crescimento
moral, intelectual, físico e até mesmo espiritual do ser humano com teatros
fechados, interditados, inacabados ou em ruínas? Difícil. Existe a
possibilidade de artistas de todas as áreas serem respeitados, ouvidos e
dignificados? Ainda não a vejo. As instituições das diferentes esferas
(federal, estadual, municipal e iniciativa privada) algum dia conseguirão
dialogar, negociar, ceder, oferecer e promover a arte e a cultura¿ Um “talvez”
muito tímido grita dentro de mim. O dinheiro público será respeitado como
deveria quando o destino dele for para obras e projetos culturais? A dúvida é
sempre maior.
Mergulhado nestas e outras tantas questões
relacionadas me autodiagnostiquei com a moléstia que denomino “cultura da
desilusão”, porém terei chances de cura quando não usarem a cultura para
autopromoção de governos, quando um professor de artes for respeitado por
alunos, pais e outros professores, quando todos os espaços culturais estiverem
em pleno funcionamento, quando um artista recém-formado em universidade tiver
perspectivas de trabalho, quando a população não for mais enganada com falsas beneces,
trapaceada e subestimada na sua credulidade de dias melhores, e mais ainda,
quando a arte e cultura não forem tratadas com migalhas pelos que têm a ilusão
de não precisarem dela para evoluir suas almas. Até quando vai perdurar essa
desilusão catastrófica? Existe mesmo a cura? Que a luta nos seja o remédio.
Eduardo Humbertto
Uberlândia (MG)
eduardohumbertto@hotmail.com
FONTE:
Jornal CORREIO de Uberlândia
http://www.correiodeuberlandia.com.br/pontodevista/2013/03/24/a-cultura-da-desilusao/
domingo, 10 de fevereiro de 2013
Poema do Pranto
Edição: Bruno Gaspari
Publicado em: Poeticamente Falando (Facebook)
Link: http://www.facebook.com/photo.php?fbid=222425584560980&set=a.197098350427037.51791.194948743975331&type=3&theater
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
ELIS: A chama ainda não se apagou
Por Eduardo Humbertto
Há exatos 30 anos, o Brasil era surpreendido com a notícia de sua partida, findava-se ainda no auge de talento e juventude, uma carreira brilhante e singular. ELIS REGINA CARVALHO COSTA, a “Pimentinha”, ou simplesmente “Elis” como preferir, se foi em tempos férteis da música brasileira, onde ela era a maior, inquestionavelmente, e o tempo teima em não dizer o contrário, mesmo após três décadas de ausência física. Me refiro assim, pois ela está presente, viva, jovem, radiante em sua melhor forma até hoje. Talvez seja esse o consolo por se morrer tão jovem e no auge do estrelato.
Não quero somente reforçar elogios à Elis e me perder em adjetivos batidos, mas me posicionar como defensor da memória artística e cultural do Brasil, que muitas vezes não é tratada como o tesouro imaterial que é, com raras exceções. Guardar a memória de um artista é preservar o retrato de uma época, de um sopro de vida em algum lugar do tempo que não coube apenas à época que pertenceu. Elis Regina é um exemplo disto, viveu intensamente uma carreira de poucos mais de vinte anos, que se desdobrou ao longo do tempo, chegando aos dias de hoje ainda como referência a ser alcançada.
Na tentativa de preservar sua memória e contribuição, somos convidados a redescobri-la, o que acontece naturalmente, devido à quantidade e qualidade do repertório que Elis gravou. Passando das mais conhecidas (Fascinação, Maria Maria, Como Nossos pais, O Bêbado e a Equilibrista, Águas de Março, Atrás da Porta), chegando para as menos conhecidas do grande público e com qualidade equivalente (20 anos Blues, Querelas do Brasil, Mestre Sala dos Mares, Agora tá, O rancho da goiabada, Marcha da Quarta-feira de Cinzas, Corrida de Jangada, Sabiá, Na Batucada da Vida, Caxangá, Velha Roupa Colorida, Meio de Campo etc), a cada nova descoberta de pedaços de um repertório tão extenso é como se ela ainda estivesse produzindo, viva como nunca, alimentando a admiração de fãs apaixonados pela música que só ela pôde transmitir com tamanha verdade e entrega, características estas, que mais admiro em um artista, verdade para lidar com a arte e entrega para fazer dela um ofício atemporal.
Este ano, em memória dos últimos 30 sem Elis, será um período de homenagens, relançamentos de discos raros, realização de uma exposição itinerante que passará pelas principais capitais, e apresentação de cinco shows de Maria Rita cantando músicas do repertório da mãe, algo ainda inédito e que promete grandes emoções. Elis se foi cedo, mas deixou uma legítima representante do talento, semelhante na aparência e na voz, mas com personalidade própria. 30 anos depois, Elis é uma chama que ainda não se apagou, e que ainda vai iluminar futuras gerações inspirando brilhantismo e personalidade. VIVA A MÚSICA BRASILEIRA.
"A voz continua, viva e límpida. Continua nos discos e nas fitas. E ainda mais viva e mais límpida na nossa saudade." Luiz Fernando Veríssimo
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
2011: O ano em que me tornei gente grande
Eu tenho muita coisa para compartilhar, não queria ser injusto e deixar passar detalhes de um ano tão importante na minha trajetória como foi 2011. Foi o tempo de muitos acontecimentos, amadurecimentos, decepções, extrema felicidade e tristeza também da mesma forma. Vivi vários tempos dentro de apenas (quase) 365 dias que só agora estão se findando, a impressão que fica é que foram bem mais do que isso, perdi a noção do tempo várias vezes, e esta foi apenas uma das peculiaridades do Sr. 2011.
Quero muito fugir dos clichês e também da pieguice característica que podem emporcalhar registros como este, sendo assim, tentarei discorrer um pouco sobre os fatos/momentos mais importantes.
Pra quem sempre reclamou por não ter férias, janeiro e fevereiro foram cruéis por terem sido tão tediosos, apesar de que paralelamente, já estava me preparando para iniciar a minha montagem de formatura “As Bruxas de Salém”, juntamente com os meus nobres colegas que fecharam 2010 comigo em temporada com o espetáculo “FIM DE PARTIDA”, de Samuel Beckett.
Neste começo tive um surto criativo e escrevi muito, principalmente poemas, surgiram coisas interessantes e outras nem tanto. Isso se deu, devido à abertura da minha escuta interna, tudo que acontecia prendia a minha atenção e automaticamente era desencadeado um processo de análise muito forte, e isto me serviu de subsídio para escrever, expus nos meus escritos sentimentos crus e muito verdadeiros. A vida foi se mostrando como ela é ou deve ser na sua essência, as pessoas vão passando pela peneira da seleção natural, fato este que me deixou muito assustado, muitas não atravessam a peneira por opção. Chega até a ser chocante em alguns casos, mas tudo bem, a vida é assim mesmo, e como bem diz aquela música de Milton Nascimento "tem gente que chega pra ficar, tem gente que vai pra nunca mais", e assim vou seguindo tentando olhar pra frente mas não deixando totalmente de olhar o que passou.
Tantas coisas boas aconteceram na minha vida, um milhão de oportunidades de ouro todas ao mesmo tempo, temi até não conseguir suprir todas, mas a minha força foi se renovando a cada desafio. Se 2010 foi um ano das maiores oportunidades que me surgiram, 2011 em seus três primeiros meses já me deixava sem fôlego.
O teatro mais uma vez foi o meu apoio mais sincero, apesar de ser o que mais me exigiu, por outro lado, também foi o que mais me consolou nas minhas lamuriações. Experienciei o processo mais intenso que ele pôde me proporcionar até hoje, montar "As Bruxas de Salém" não poderia ter vindo em momento melhor, no que diz respeito à significação que isso sugere a mim particularmente, caçar as bruxas em si mesmo e nos outros foi uma tarefa surpreendente em todos os sentidos.
Paralelamente, ao processo de montagem no teatro (daqui a pouco retomo mais detalhes), recebi alguns reconhecimentos literários importantes, e pude participar de duas antologias publicadas em São Paulo-SP, uma pela Scortecci Editora e outra pela BELACOP Livros, recebi alguns exemplares em casa e compartilhei com familiares, amigos e admiradores do meu trabalho. E agora no final do ano, obtive mais um reconhecimento através do Prêmio SESC de Poesia Carlos Drummond de Andrade, fui um dos finalistas e vou integrar, juntamente com mais 34 autores selecionados, uma antologia do prêmio prevista para o ano que vem, e que terá publicação em Brasília, promovida pelo SESC-DF.
Voltando agora um pouco no calendário, em abril organizei uma aula de campo da faculdade em São Paulo-SP. Tudo começou ainda nas férias letivas de janeiro/fevereiro, ter novamente um contato com o Armazém Cia de Teatro já era uma necessidade desde o arrebatador "Inveja Dos Anjos", a partir da minha idéia inicial, movi tudo para que se tornasse realidade.
Mobilizei pessoas a fim de compartilhar comigo tudo que um grupo de teatro tem de melhor a oferecer: Teatro em estado puríssimo.
Foram dias e mais dias de produção, contatos, reservas, pagamentos, confirmações, envios, recebimentos, enfim, tudo que uma produção vitoriosa tem que passar para merecer ser chamada de vitoriosa. Pude conferir o espetáculo "Antes da Coisa Toda Começar", novo trabalho do Armazém Cia. de Teatro, estar com eles foi o que me motivou a organizar e articular a ida a São Paulo. E mais ainda foi sentir que todo o esforço valeu a pena.
Uma das grandes surpresas da noite, foi o presente que recebi do diretor Paulo de Morais, um DVD do espetáculo "Inveja Dos Anjos", na hora fiquei sem palavras, sem ação, porém, muito emocionado com a atenção e carinho do grupo comigo. É uma coisa que nunca mais sai da minha memória, seja enquanto artista ou enquanto pessoa. Quero muito agradecê-los, deixando claro mais uma vez a minha admiração por todos eles, e que continuem nos presenteando a cada trabalho.
Retornei a Blumenau em julho, para mais uma edição da Jornada Latino Americana de Estudos Teatrais, promovida pela Universidade Regional de Blumenau, foi apresentar o pôster intitulado: “Formação de Espectadores, o teatro de rua como possibilidade de formação de espectadores na cidade de Uberlândia”, sob orientação da Profª Drª Ana Carneiro. Foi mais um momento importante de troca e diálogo com as pesquisas em teatro que estão acontecendo atualmente no Brasil e na América Latina. O frio foi um presente à parte, afinal nunca tinha pegado 2ºC. Experiência única.
De aniversário ganhei a minha CNH, depois de tempos com tantos entraves, finalmente a conquistei, finalizando um processo de muita baixaria, falta de respeito e extorsão feitos por uma auto-escola renovada da cidade. Enfim, deixei para que a vida cuidasse disso, e acho que foi a melhor escolha. Procurei uma outra auto-escola que realmente valesse a pena e finalmente, o documento veio no momento em que eu mais precisava. Graças.
Voltando ao espetáculo “As Bruxas de Salém”, estreiamos como convidados no Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana, dentro da Mostra das Escolas Mineiras de Ensino Superior, dia 19 de julho às 20h, nos palcos do Teatro Ouro Preto, o trabalho foi mostrado pela primeira vez, contamos com um público presente e muito atento. Estar ali foi um presente, para todos do grupo, pois lutamos muito para que o espetáculo acontecesse, abrimos mão de férias, finais de semana, contato com a família, relacionamentos, enfim, para nos dedicarmos ao trabalho, e com certeza fomos recompensados. Voltamos para Uberlândia, e fizemos uma temporada muito positiva, com grande participação do público da cidade, principalmente o não-acadêmico. Dificuldades apareceram aos montes, mas o grupo soube contorná-las com muita atenção e disponibilidade, e fizemos valer a nossa intenção que era mostrar o trabalho o maior número de vezes possível.
2011 também foi o ano dos grandes presentes, em setembro entrei em um avião pela primeira vez para realizar um sonho, que num primeiro momento até considerei um pouco de loucura, mas que resolvi lutar para que se tornasse algo real e concreto. Cheguei ao Rio de Janeiro para presenciar o maior Festival de Música do Mundo, o 'ROCK IN RIO', oportunidade única e marcante. Na noite do dia 24/09 juntamente com mais de 100 mil pessoas vivi o melhor show da minha vida com o RED HOT CHILI PEPPERS, ao vivo e a cores televisionado para o mundo inteiro. Enfim, é muito impactante ter noção de ver um sonho se realizando na sua frente como foi estar no Rio e envolto a tudo que foi aqueles dias.
Por isso defendo que devemos sonhar sim, mas acima de tudo lutar para que os nossos sonhos se tornem reais, ter essa experiência me trouxe muita consciência nesse sentido. Acreditar e lutar são os ingredientes principais para uma coisa que grande parte das pessoas buscam em todos os setores da vida: REALIZAÇÃO.
2011 vai se finalizando, e junto com ele a minha graduação em Teatro. Após quatro anos e meio de muita luta, percalços, alegrias, surpresas, superação, tristezas, crises, indignações, brigas, mal-entendidos, belíssimas viagens, preciosas oportunidades etc, o meu tempo lá se esgotou, chegou a hora de buscar novos ares, novas pessoas, novas oportunidades e novas superações. E espero que 2012 traga isso embutido nos seus mistérios, e que daqui um ano eu possa estar aqui novamente contando tudo o que ele me aprontou, e considerando como saldo positivo, como foi 2011. Não consegui dizer tudo, mas a maior parte de tudo está aí, mesmo que talvez um pouco subliminarmente.
Termino com uma frase que resume o meu atual momento, e as minhas expectativas para o ano que vai se iniciar.
"Não sei onde vou chegar, só sei que estou no caminho."
E que venha o Sr. 2012. Modificar o que precisa ser modificado.
Forte abraço a todos.
Quero muito fugir dos clichês e também da pieguice característica que podem emporcalhar registros como este, sendo assim, tentarei discorrer um pouco sobre os fatos/momentos mais importantes.
Pra quem sempre reclamou por não ter férias, janeiro e fevereiro foram cruéis por terem sido tão tediosos, apesar de que paralelamente, já estava me preparando para iniciar a minha montagem de formatura “As Bruxas de Salém”, juntamente com os meus nobres colegas que fecharam 2010 comigo em temporada com o espetáculo “FIM DE PARTIDA”, de Samuel Beckett.
Neste começo tive um surto criativo e escrevi muito, principalmente poemas, surgiram coisas interessantes e outras nem tanto. Isso se deu, devido à abertura da minha escuta interna, tudo que acontecia prendia a minha atenção e automaticamente era desencadeado um processo de análise muito forte, e isto me serviu de subsídio para escrever, expus nos meus escritos sentimentos crus e muito verdadeiros. A vida foi se mostrando como ela é ou deve ser na sua essência, as pessoas vão passando pela peneira da seleção natural, fato este que me deixou muito assustado, muitas não atravessam a peneira por opção. Chega até a ser chocante em alguns casos, mas tudo bem, a vida é assim mesmo, e como bem diz aquela música de Milton Nascimento "tem gente que chega pra ficar, tem gente que vai pra nunca mais", e assim vou seguindo tentando olhar pra frente mas não deixando totalmente de olhar o que passou.
Tantas coisas boas aconteceram na minha vida, um milhão de oportunidades de ouro todas ao mesmo tempo, temi até não conseguir suprir todas, mas a minha força foi se renovando a cada desafio. Se 2010 foi um ano das maiores oportunidades que me surgiram, 2011 em seus três primeiros meses já me deixava sem fôlego.
O teatro mais uma vez foi o meu apoio mais sincero, apesar de ser o que mais me exigiu, por outro lado, também foi o que mais me consolou nas minhas lamuriações. Experienciei o processo mais intenso que ele pôde me proporcionar até hoje, montar "As Bruxas de Salém" não poderia ter vindo em momento melhor, no que diz respeito à significação que isso sugere a mim particularmente, caçar as bruxas em si mesmo e nos outros foi uma tarefa surpreendente em todos os sentidos.
Paralelamente, ao processo de montagem no teatro (daqui a pouco retomo mais detalhes), recebi alguns reconhecimentos literários importantes, e pude participar de duas antologias publicadas em São Paulo-SP, uma pela Scortecci Editora e outra pela BELACOP Livros, recebi alguns exemplares em casa e compartilhei com familiares, amigos e admiradores do meu trabalho. E agora no final do ano, obtive mais um reconhecimento através do Prêmio SESC de Poesia Carlos Drummond de Andrade, fui um dos finalistas e vou integrar, juntamente com mais 34 autores selecionados, uma antologia do prêmio prevista para o ano que vem, e que terá publicação em Brasília, promovida pelo SESC-DF.
Voltando agora um pouco no calendário, em abril organizei uma aula de campo da faculdade em São Paulo-SP. Tudo começou ainda nas férias letivas de janeiro/fevereiro, ter novamente um contato com o Armazém Cia de Teatro já era uma necessidade desde o arrebatador "Inveja Dos Anjos", a partir da minha idéia inicial, movi tudo para que se tornasse realidade.
Mobilizei pessoas a fim de compartilhar comigo tudo que um grupo de teatro tem de melhor a oferecer: Teatro em estado puríssimo.
Foram dias e mais dias de produção, contatos, reservas, pagamentos, confirmações, envios, recebimentos, enfim, tudo que uma produção vitoriosa tem que passar para merecer ser chamada de vitoriosa. Pude conferir o espetáculo "Antes da Coisa Toda Começar", novo trabalho do Armazém Cia. de Teatro, estar com eles foi o que me motivou a organizar e articular a ida a São Paulo. E mais ainda foi sentir que todo o esforço valeu a pena.
Uma das grandes surpresas da noite, foi o presente que recebi do diretor Paulo de Morais, um DVD do espetáculo "Inveja Dos Anjos", na hora fiquei sem palavras, sem ação, porém, muito emocionado com a atenção e carinho do grupo comigo. É uma coisa que nunca mais sai da minha memória, seja enquanto artista ou enquanto pessoa. Quero muito agradecê-los, deixando claro mais uma vez a minha admiração por todos eles, e que continuem nos presenteando a cada trabalho.
Retornei a Blumenau em julho, para mais uma edição da Jornada Latino Americana de Estudos Teatrais, promovida pela Universidade Regional de Blumenau, foi apresentar o pôster intitulado: “Formação de Espectadores, o teatro de rua como possibilidade de formação de espectadores na cidade de Uberlândia”, sob orientação da Profª Drª Ana Carneiro. Foi mais um momento importante de troca e diálogo com as pesquisas em teatro que estão acontecendo atualmente no Brasil e na América Latina. O frio foi um presente à parte, afinal nunca tinha pegado 2ºC. Experiência única.
De aniversário ganhei a minha CNH, depois de tempos com tantos entraves, finalmente a conquistei, finalizando um processo de muita baixaria, falta de respeito e extorsão feitos por uma auto-escola renovada da cidade. Enfim, deixei para que a vida cuidasse disso, e acho que foi a melhor escolha. Procurei uma outra auto-escola que realmente valesse a pena e finalmente, o documento veio no momento em que eu mais precisava. Graças.
Voltando ao espetáculo “As Bruxas de Salém”, estreiamos como convidados no Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana, dentro da Mostra das Escolas Mineiras de Ensino Superior, dia 19 de julho às 20h, nos palcos do Teatro Ouro Preto, o trabalho foi mostrado pela primeira vez, contamos com um público presente e muito atento. Estar ali foi um presente, para todos do grupo, pois lutamos muito para que o espetáculo acontecesse, abrimos mão de férias, finais de semana, contato com a família, relacionamentos, enfim, para nos dedicarmos ao trabalho, e com certeza fomos recompensados. Voltamos para Uberlândia, e fizemos uma temporada muito positiva, com grande participação do público da cidade, principalmente o não-acadêmico. Dificuldades apareceram aos montes, mas o grupo soube contorná-las com muita atenção e disponibilidade, e fizemos valer a nossa intenção que era mostrar o trabalho o maior número de vezes possível.
2011 também foi o ano dos grandes presentes, em setembro entrei em um avião pela primeira vez para realizar um sonho, que num primeiro momento até considerei um pouco de loucura, mas que resolvi lutar para que se tornasse algo real e concreto. Cheguei ao Rio de Janeiro para presenciar o maior Festival de Música do Mundo, o 'ROCK IN RIO', oportunidade única e marcante. Na noite do dia 24/09 juntamente com mais de 100 mil pessoas vivi o melhor show da minha vida com o RED HOT CHILI PEPPERS, ao vivo e a cores televisionado para o mundo inteiro. Enfim, é muito impactante ter noção de ver um sonho se realizando na sua frente como foi estar no Rio e envolto a tudo que foi aqueles dias.
Por isso defendo que devemos sonhar sim, mas acima de tudo lutar para que os nossos sonhos se tornem reais, ter essa experiência me trouxe muita consciência nesse sentido. Acreditar e lutar são os ingredientes principais para uma coisa que grande parte das pessoas buscam em todos os setores da vida: REALIZAÇÃO.
2011 vai se finalizando, e junto com ele a minha graduação em Teatro. Após quatro anos e meio de muita luta, percalços, alegrias, surpresas, superação, tristezas, crises, indignações, brigas, mal-entendidos, belíssimas viagens, preciosas oportunidades etc, o meu tempo lá se esgotou, chegou a hora de buscar novos ares, novas pessoas, novas oportunidades e novas superações. E espero que 2012 traga isso embutido nos seus mistérios, e que daqui um ano eu possa estar aqui novamente contando tudo o que ele me aprontou, e considerando como saldo positivo, como foi 2011. Não consegui dizer tudo, mas a maior parte de tudo está aí, mesmo que talvez um pouco subliminarmente.
Termino com uma frase que resume o meu atual momento, e as minhas expectativas para o ano que vai se iniciar.
"Não sei onde vou chegar, só sei que estou no caminho."
E que venha o Sr. 2012. Modificar o que precisa ser modificado.
Forte abraço a todos.
sábado, 5 de novembro de 2011
Nova fase!
Estou inaugurando uma nova fase do blog "ESCREVER PRA VIVER", e para comemorar um design novo foi pensado e colocado em prática pra facilitar a leitura e navegação.
2012 vem trazendo muitas novidades, ao poucos vou compartilhando com vocês, e aumentar a minha produção bibliográfica é um compromisso com todos vocês que me acompanham.
Um abraço e aguardem os próximos posts.
2012 vem trazendo muitas novidades, ao poucos vou compartilhando com vocês, e aumentar a minha produção bibliográfica é um compromisso com todos vocês que me acompanham.
Um abraço e aguardem os próximos posts.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Quando um sonho se torna realidade
Exatamente há uma semana atrás, eu entrei em um avião pela primeira vez para realizar um sonho, que num primeiro momento até considerei um pouco de loucura, mas que resolvi lutar para que se tornasse algo real e concreto.
Cheguei ao Rio de Janeiro para presenciar o maior Festival de Música do Mundo, o 'ROCK IN RIO'... oportunidade única e marcante. Na noite do dia 24/09 juntamente com mais de 100 mil pessoas vivi o melhor show da minha vida com o RED HOT CHILI PEPPERS, ao vivo e à cores televisionado para o mundo inteiro. Enfim, é muito impactante ter noção de ver um sonho se realizando na sua frente como foi estar no Rio e envolto a tudo que foi aqueles dias.
Por isso defendo que devemos sonhar sim, mas acima de tudo lutar para que os nossos sonhos se tornem reais, ter essa experiência me trouxe muita consciência nesse sentido. Acreditar e lutar são os ingredientes principais para uma coisa que grande parte das pessoas buscam em todos os setores da vida: REALIZAÇÃO.
"O ser humano é feito da matéria dos sonhos" - William Shakespeare
Compartilho com vocês um pedaço do que foi uma noite emocionante:
Cheguei ao Rio de Janeiro para presenciar o maior Festival de Música do Mundo, o 'ROCK IN RIO'... oportunidade única e marcante. Na noite do dia 24/09 juntamente com mais de 100 mil pessoas vivi o melhor show da minha vida com o RED HOT CHILI PEPPERS, ao vivo e à cores televisionado para o mundo inteiro. Enfim, é muito impactante ter noção de ver um sonho se realizando na sua frente como foi estar no Rio e envolto a tudo que foi aqueles dias.
Por isso defendo que devemos sonhar sim, mas acima de tudo lutar para que os nossos sonhos se tornem reais, ter essa experiência me trouxe muita consciência nesse sentido. Acreditar e lutar são os ingredientes principais para uma coisa que grande parte das pessoas buscam em todos os setores da vida: REALIZAÇÃO.
"O ser humano é feito da matéria dos sonhos" - William Shakespeare
Compartilho com vocês um pedaço do que foi uma noite emocionante:
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Águas da Alma

[Trecho do Poema]
[...]
Enxarco o rosto com água corrente,
crio a falsa sensação de desabafo,
sei que as lágrimas verdadeiras
estão se acumulando em algum lugar,
quero encontrá-las e dedicar confidências.
A poesia que agora fala por mim,
age por minúncias,
e antes da palavra final
o lápis perde a firmeza,
a vista embaralha,
uma lágrima escapa
e abraça o poema. [...]
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Fátima - Capital Inicial
Vocês esperam uma intervenção divina
Mas não sabem que o tempo agora está contra vocês
Vocês se perdem no meio de tanto medo
De não conseguir dinheiro pra comprar sem se vender
E vocês armam seus esquemas ilusórios
Continuam só fingindo que o mundo ninguém fez
Mas acontece que tudo tem começo
Se começa um dia acaba, eu tenho pena de vocês
E as ameaças de ataque nuclear
Bombas de neutrons não foi Deus quem fez
Alguém, alguém um dia vai se vingar
Vocês são vermes, pensam que são reis
Não quero ser como vocês
Eu não preciso mais
Eu já sei o que eu tenho que saber
E agora tanto faz
Três crianças sem dinheiro e sem moral
Não ouviram a voz suave que era uma lágrima
E se esqueceram de avisar pra todo mundo
Ela talvez tivesse um nome e era: Fátima
E de repente o vinho virou água
E a ferida não cicatrizou
E o limpo se sujou
E no terceiro dia ninguém ressuscitou
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Com apenas 21 anos de idade, eu já aprendi:
-> Que respeito deve estar acima de tudo e em todos os momentos. Sem ele não há prosseguimento em nada.
-> Que escolhas devem ser honradas e não mudadas a todo momento.
-> Que ódio e amor são sentimentos irmãos, andam de mãos dadas, amor pode se transformar em ódio, e ódio pode se transformar em amor.
-> Que não importa o quanto você trabalhe e seja digno alguém não perdoará essas qualidades em você.
-> Que as pessoas mentem, a gente também.
-> Que uma música ou poema podem despertar lágrimas incrustadas no fundo da alma e trazer uma melhor maneira de lidar com o nosso íntimo.
-> Que quando você alcança um objetivo os próximos ficam mais brilhantes e sedutores.
-> Que dói muito quando você não pode dividir uma conquista com quem já se foi.
-> Que é presente de Deus você poder escolher o seu caminho.
-> Que a espiritualidade está em absolutamente tudo.
-> Que o seu brilho sempre pesará mais para uma mente perturbada
-> Que é preferível ser enganado do que enganar.
-> Que muitos discursam em nome de Deus, e se faz bem pouco na prática.
-> Que ter “dó” é colocar alguém em uma situação da qual a pessoa não tem como sair. É menosprezar as capacidades e potencialidades de um ser humano.
-> Que errar faz parte do processo de aprendizagem de cada um, mas continuar no erro é gastar uma energia importante que nunca voltará.
-> Que ingenuidade a gente vai perdendo ao longo do caminho.
-> Que a vida vai me munindo de armas que ela mesma vai exigir mais à frente.
-> Que tenho muito que agradecer e quase nenhum motivo para reclamar.
-> Que dinheiro não trás felicidade, mas sim uma boa qualidade de vida, e que você pode ser feliz sem ter tudo o que as pessoas querem que você tenha.
... (Continua)
(Novas impressões ainda serão acrescentadas aqui até o dia 1º de setembro, o meu último dia com 21 anos.)
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Sobre o estado presente...

DESLIGAMENTO: Ação ou efeito de desligar; Falta de ligação ou de nexo; desconexão.
ROMPIMENTO: Ação ou efeito de romper ou romper-se; Rasgão; quebra; abertura; Quebra de relações entre pessoas ou países: rompimento de relações.
TRANSMUTAÇÃO: Ação ou efeito de transmutar; Mudar, transformar, converter.
OBS: Junte os significados e construa sua própria conclusão, não deixe de utilizar a sua experiência de vida para isso.
terça-feira, 14 de junho de 2011
Da Culpa
Por SHYRLEY PIMENTA
FONTE: http://www.correiodeuberlandia.com.br/pontodevista/2011/06/14/da-culpa/

Compreender a totalidade do ser é o nosso grande desafio. Daí a necessidade de refletirmos sobre a dimensão da culpa, sobretudo a própria, superando o medo de nos depararmos com segredos, guardados a sete chaves. Tal reflexão se torna mais urgente diante da perplexidade, da desorientação, da dissolução dos parâmetros éticos, que tão bem caracterizam nossa frenética modernidade urbana, industrial e tecnológica.
A crueldade e a injustiça, nos seus mais variados níveis e formas, habitam o coração humano. Traições, mentiras, astúcias, arbitrariedades são a matéria-prima da qual se tecem as trajetórias e os descaminhos dos homens, responsáveis pelo caráter brutal das realidades sociais.
E não estamos falando de uma pretensa culpa coletiva, que tende a diluir no tempo, no espaço e na memória o sentimento de culpa de cada indivíduo. Também não basta buscar abrigo, o alívio ilusório das próprias culpas, nos valores religiosos de igrejas, atualmente tão disfuncionais. E se aquietar, apaziguado, conformado, consolado.
Para conhecer e metabolizar a culpa, a palavra certa é abismo. Há que mergulhar fundo nas próprias inquietações e perplexidades, nas angústias e conflitos, nos sentimentos difíceis de cada dia. E não existem mensagens salvadoras. Cada um é responsável por superar as arestas do próprio destino. No máximo, nessa árdua tarefa, é possível estender a mão uns aos outros, como cúmplices ambíguos, que manipulam e se aproveitam dos papéis que desempenham nessa comédia humana. Não há como escapar das dualidades fáceis e cômodas, pois nenhum de nós é simplesmente vítima passiva. Nenhum de nós é, apenas, herói ou bandido.
Portanto, estamos todos convidados à incômoda tarefa de recitar o próprio “confiteor”. Para tanto, usamos a palavra – que celebra a memória – na luta para preservar do esquecimento o passado e suas marcas de violência e tortura, em grandes ou pequenas escalas. Assim sendo, abrimos mão da apatia, do silêncio conformista, da tendência a “esquecer” ou relativizar o mal praticado. Precisamos, a qualquer custo, impedir a destruição da nossa capacidade de refletir, para que não nos implantem próteses definidoras de “bem” e de “mal”, ao sabor das conveniências e dos interesses, próprios ou alheios.
Nisso, também, a arte pode ajudar-nos, já que ela reproduz, com rara propriedade, as razões obscuras que motivam os homens a pensar, sentir e agir, para o bem ou para o mal. A poesia, por exemplo, cria em nós um espaço livre para a indagação, a expressão do desejo, o perdão, a reconciliação, a alegria, a esperança.
E, nesse processo de autodescoberta (onde foi mesmo que eu perdi o fio da meada?), a Psicanálise é fundamental. Ultrapassando as explicações, aparentemente lógicas, a Psicanálise desnuda nossas motivações inconscientes: nosso narcisismo exacerbado, nosso apreço exagerado pelo exercício do poder, nossa sede exagerada de lucro, a crença de que somos todo-poderosos, de que estamos acima da lei, acima do bem e do mal. Tenhamos em mente: a vida é uma frágil elegia, mas tudo o que se perde e passa, de cada breve momento jamais se apaga. (Alberto da Costa e Silva).
Shyrley Pimenta
Uberlândia (MG)
ivsant@terra.com.br
FONTE: http://www.correiodeuberlandia.com.br/pontodevista/2011/06/14/da-culpa/
Compreender a totalidade do ser é o nosso grande desafio. Daí a necessidade de refletirmos sobre a dimensão da culpa, sobretudo a própria, superando o medo de nos depararmos com segredos, guardados a sete chaves. Tal reflexão se torna mais urgente diante da perplexidade, da desorientação, da dissolução dos parâmetros éticos, que tão bem caracterizam nossa frenética modernidade urbana, industrial e tecnológica.
A crueldade e a injustiça, nos seus mais variados níveis e formas, habitam o coração humano. Traições, mentiras, astúcias, arbitrariedades são a matéria-prima da qual se tecem as trajetórias e os descaminhos dos homens, responsáveis pelo caráter brutal das realidades sociais.
E não estamos falando de uma pretensa culpa coletiva, que tende a diluir no tempo, no espaço e na memória o sentimento de culpa de cada indivíduo. Também não basta buscar abrigo, o alívio ilusório das próprias culpas, nos valores religiosos de igrejas, atualmente tão disfuncionais. E se aquietar, apaziguado, conformado, consolado.
Para conhecer e metabolizar a culpa, a palavra certa é abismo. Há que mergulhar fundo nas próprias inquietações e perplexidades, nas angústias e conflitos, nos sentimentos difíceis de cada dia. E não existem mensagens salvadoras. Cada um é responsável por superar as arestas do próprio destino. No máximo, nessa árdua tarefa, é possível estender a mão uns aos outros, como cúmplices ambíguos, que manipulam e se aproveitam dos papéis que desempenham nessa comédia humana. Não há como escapar das dualidades fáceis e cômodas, pois nenhum de nós é simplesmente vítima passiva. Nenhum de nós é, apenas, herói ou bandido.
Portanto, estamos todos convidados à incômoda tarefa de recitar o próprio “confiteor”. Para tanto, usamos a palavra – que celebra a memória – na luta para preservar do esquecimento o passado e suas marcas de violência e tortura, em grandes ou pequenas escalas. Assim sendo, abrimos mão da apatia, do silêncio conformista, da tendência a “esquecer” ou relativizar o mal praticado. Precisamos, a qualquer custo, impedir a destruição da nossa capacidade de refletir, para que não nos implantem próteses definidoras de “bem” e de “mal”, ao sabor das conveniências e dos interesses, próprios ou alheios.
Nisso, também, a arte pode ajudar-nos, já que ela reproduz, com rara propriedade, as razões obscuras que motivam os homens a pensar, sentir e agir, para o bem ou para o mal. A poesia, por exemplo, cria em nós um espaço livre para a indagação, a expressão do desejo, o perdão, a reconciliação, a alegria, a esperança.
E, nesse processo de autodescoberta (onde foi mesmo que eu perdi o fio da meada?), a Psicanálise é fundamental. Ultrapassando as explicações, aparentemente lógicas, a Psicanálise desnuda nossas motivações inconscientes: nosso narcisismo exacerbado, nosso apreço exagerado pelo exercício do poder, nossa sede exagerada de lucro, a crença de que somos todo-poderosos, de que estamos acima da lei, acima do bem e do mal. Tenhamos em mente: a vida é uma frágil elegia, mas tudo o que se perde e passa, de cada breve momento jamais se apaga. (Alberto da Costa e Silva).
Shyrley Pimenta
Uberlândia (MG)
ivsant@terra.com.br
segunda-feira, 13 de junho de 2011
[Sobre Religião, Crenças e Tudo ao Redor]

Há tempos gostaria de escrever algo sobre este assunto, e os motivos vão se somando com o passar dos últimos tempos. É um tema delicado, e que somente temos propriedade para tratá-lo a partir da nossa vivência particular e totalmente intimista, e mais ainda quando não agredimos as pessoas que, assim como nós, também têm o livre arbítrio para pensar e fazer o que bem entendem.
Religião, vem do termo 'religare', que significa religar. Pensando assim, é o que te conecta com o divino, com uma energia superior que chamamos de Deus. Acredito muito que a formação de um indivíduo em qualquer cultura que seja não está completa quando se ausenta a parte religiosa, seja ela qual for, a criança precisa ser ensinada a buscar essa ligação com a energia maior que guia todas as coisas. Independentemente se ela vai seguir isso na vida adulta ou não, afinal, bases bem construídas, dificilmente ruirão.
No meu caso particular, tenho a sorte de ter escolhido o meu caminho religioso desde muito cedo, nada me foi imposto, apesar de sempre buscar a religião e os ritos religiosos, fui batizado na igreja católica, para a grande felicidade do meu avô que não queria morrer e deixar o neto pagão, fazia questão, e hoje agradeço muito por isso, pois foi a partir daí a grande abertura de consciência que eu tive mesmo com tão pouca idade.
Minha formação religiosa é católica apostólica romana, creio em Deus, em Jesus Cristo, na Virgem Maria, e na Santíssima Trindade. Fiz catequese e fui coroinha na Igreja Nossa Senhora das Dores - tradicional na cidade - lá estão fincadas as minhas verdadeiras bases cristãs, é onde me sinto em casa, me sinto bem, conheço as pessoas e consigo compartilhar.
A verdadeira intenção deste post é levantar a reflexão, sobre nós mesmos, as nossas atitudes e principalmente nossa dedicação a Deus e às pessoas, próximas ou não. Com o meu trabalho no teatro estou vivendo um período muito interessante de observação e questionamentos sobre as religiões. Todas tem uma lógica, e essa mesma lógica é linda, emocionante, e digna de crédito, sem generalizações mas e o que se pratica 'baseado' nela? Aí está a grande questão, não cabe a mim ficar apontando as falhas, elas existem e todos sabem, fui capaz de fazer esta reflexão pois estou lendo o livro "A Ética Protestante e o "espírito" do capitalismo, de Max Weber. É uma leitura super interessante. Recomendo para pessoas de qualquer religião, ou até mesmo ateus.
Quero terminar com a seguinte reflexão: Eu acredito em Deus por dois simples motivos, porque ele nos deu o Livre Arbítrio para que nós tenhamos a grandeza de escolher o que queremos, e também porque a Lei do Retorno (Causa e Efeito) - que é arcar com as conseqüencias de tudo que fazemos - rege o universo. Pecado para mim é menosprezar a crença alheia, fazer mal aos outros, e não reconhecer o bem que fazem a você.
Aguardo comentários.
Um boa semana a todos.
sábado, 4 de junho de 2011
Movimento
terça-feira, 31 de maio de 2011
Fast Car - O poema
[Trecho do Poema]...
O início aciona o meu inconsciente,
o estado de prontidão e prazer se instaura.
A luz está baixa,
o frio e o copo de whisky caro bem ralo
são as minhas companhias hoje.
A letra começa,
fala de dois seres que poderiam ser qualquer um,
mas não são...
“You got a fast car
I want a ticket to anywhere
Maybe we make a deal
Maybe together we can get somewhere”
São palavras simples de um amor rebuscado,
A cada novo verso os sentidos se desvendam,
encaixando entre duas vidas
que um dia se encontraram
num clima Fast Car.
[...]
► Acompanhe uma versão atualizada do clássico de Tracy Chapman
Tracy Chapman - Fast Car (Boyce Avenue & Kina Grannis acoustic cover) on...
O início aciona o meu inconsciente,
o estado de prontidão e prazer se instaura.
A luz está baixa,
o frio e o copo de whisky caro bem ralo
são as minhas companhias hoje.
A letra começa,
fala de dois seres que poderiam ser qualquer um,
mas não são...
“You got a fast car
I want a ticket to anywhere
Maybe we make a deal
Maybe together we can get somewhere”
São palavras simples de um amor rebuscado,
A cada novo verso os sentidos se desvendam,
encaixando entre duas vidas
que um dia se encontraram
num clima Fast Car.
[...]
► Acompanhe uma versão atualizada do clássico de Tracy Chapman
Tracy Chapman - Fast Car (Boyce Avenue & Kina Grannis acoustic cover) on...
segunda-feira, 23 de maio de 2011
8 ou 80 - Pitty
Todo mundo tem segredo
Que não conta nem pra si mesmo
Todo mundo tem receio
Do que vê diante do espelho
Eu só quero o começo
Me entedia lidar com o meio
Quero muito, tenho apego
Já não quero e só resta desprezo
Nem sempre ando entre os meus iguais
Nem sempre faço coisas legais
Me dou bem com os inocentes
Mas com os culpados me divirto mais
Todo mundo tem segredo
Que não conta nem pra si mesmo
Todo mundo tem receio
Do que vê diante do espelho
Todo mundo tem desejo
Que não divide nem com o travesseiro
Um remédio pra amargura
Ou as drogas que vêm com bula
Nem sempre ando entre os meus iguais
Nem sempre faço coisas legais
Me dou bem com os inocentes
Mas com os culpados me divirto mais
Não conheço o que existe entre o 8 e o 80
Nem sempre ando entre os meus iguais
Nem sempre faço coisas legais
Me dou bem com os inocentes
Mas com os culpados me divirto mais
Ah... eu me divirto mais
sábado, 21 de maio de 2011
sábado, 14 de maio de 2011
Noite clara

[Trecho do Poema]
A rotina dá uma trégua,
e me entrego ao ócio da observação.
O espelho me aponta traços que desconheço,
mas insisto em olhar pelos ângulos peculiares a mim
[e às experiências que trago na bagagem.]
A vida me atinge de maneira branda,
porém não menos severa,
saio do abismo e volto a cair outras vezes mais...
[incansável e sem lamúrias.]
08/05/2001
Às 02:12h
Uberlândia-MG
[Na mesa de um dos bares da vida]
quarta-feira, 30 de março de 2011
[Sobre muitas coisas...]

Após passar por um surto criativo intenso e expurgador escrevendo muitos poemas em um curto espaço de tempo, agora estou na calmaria, e a prosa está tentando de todos os jeitos tomar conta de uma mente que muito tem a falar dos últimos tempos.
Confesso que nessa intenção vou me aperfeiçoando nas metáforas, afinal, o que seria de mim sem elas? Eu acho que simplesmente não escreveria se elas não existissem. Explicando melhor, acredito que o que eu escrevo não deve ser definitivo, pronto, acabado e sim, aberto para a compreensão que o outro (leitor) poderá tirar para si dentro do seu próprio contexto de vida e de experiência que esteja passando. Aí está verdadeiramente o lugar do escritor/poeta, transmitir algo abrindo as possibilidades de compreensão.
Ando bastante reflexivo nos últimos tempos, tudo que me acontece anda sendo um pedido de análise, olhar com cuidado, uma pausa com alucinações cheias de verdade. Volta e meia consulto o dicionário para entender o real significado de palavras chaves, a fim de facilitar esse processo de compreensão. A vida vai se mostrando como ela é ou deve ser na sua essência, as pessoas vão passando pela pineira da seleção natural, fato este que me deixa muito assustado, muitas não atravessam a pineira para ficarem na sua vida porque elas não querem. Chega até a ser chocante em alguns casos... mas tudo bem, a vida é assim mesmo... e como bem diz aquela música de Milton Nascimento "tem gente que chega pra ficar, tem gente que vai pra nunca mais", e assim vou seguindo tentando olhar pra frente mas não deixando totalmente de olhar o que passou.
Essa falta de clareza não me permite escrever em verso, sinto então a necessidade da prosa para tentar ser mais preciso...
Pode ser este o post mais sem sentido do meu blog até hoje, considerando que os demais foram bastante pontuais. Mas estou sentindo a necessidade de me comunicar, e escrevendo eu consigo atingir este estado.
Tantas coisas boas acontecendo na minha vida, um milhão de oportunidades de ouro ao mesmo tempo, temo até não conseguir suprir todas, mas já passei por tantas coisas e já enfrentei outras tantas na vida com apenas 21 anos de idade, que a minha força vai se renovando a cada desafio. Se 2010 foi um ano das maiores oportunidades que me surgiram, 2011 em seus 3 meses já me deixa sem fôlego.
O teatro mais uma vez está sendo meu apoio mais sincero, apesar de ser quem mais está me exigindo, por outro lado, também é o que mais me consola nas minhas lamuriações. Montar "As Bruxas de Salém" não poderia ter vindo em momento melhor, no que diz respeito à significação que isso sugere a mim particularmente... caçar as bruxas em si mesmo e nos outros será uma tarefa surpreendente em todos os sentidos.
"Não sei onde vou chegar, só sei que estou no caminho."
Até qualquer hora.
OBS: Este post será alterado várias vezes, na medida que eu for me lembrando dos assuntos que quero tratar, venho aqui e complemento.
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