terça-feira, 1 de outubro de 2013
Vagante
Edição: Bruno Gaspari
Fonte: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=258967377573467&set=a.197098350427037.51791.194948743975331&type=3&theater
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Canção do vento e da minha vida
O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.
O vento varria as luzes,
O vento varria as músicas,
O vento varria os aromas...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De aromas, de estrelas, de cânticos.
O vento varria os sonhos
E as amizades...
O vento varria as mulheres...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De afetos e de mulheres.
O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos...
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.
MANUEL BANDEIRA
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Por não estarem distraídos
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter essa sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes, eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não Então a grande dança dos erros. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem distraídos.
Clarice Lispector
Clarice Lispector
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Discurso
Existe sensação melhor do que a de perdoar? Foi o que me perguntaram.
A consciência respondeu por mim:
Se existe, nenhum ser humano a experimentou ainda.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Aniversariar
Me disseram que eu tenho direito a um pedido,
mas eram tantos,
soprei a velinha e eles ficaram espalhados pelo ar,
a verdade é que só quero um: SAÚDE!
Porque o resto é resto e sempre será.
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
La Gloria
"Por qué negar que estoy de ti enamorado
de tu dolce alma
que es toda sentimiento..."
(Jose Antonio Mendez,
canción La Gloria Eres Tu)
canción La Gloria Eres Tu)
terça-feira, 27 de agosto de 2013
Sentimento russo
Ouço muito bem,
já não tocam mais
os sinos de Saint Petersburg.
Com o vestuário da mudez
usaram o livre arbítrio.
sábado, 24 de agosto de 2013
Deveras
A intuição se envaideceu
da desilusão que
deveras foi anunciada.
Só ela sabe como isso termina
[ponto final]
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Embaixada
A noite toda foi de rock,
na manhã fria e cinzenta,
minha alma encarnada era umas das poucas
que circulavam nas ruas do centro.
Sem sono anterior,
vaguei com invejável atenção,
senti a arquitetura,
respirei possibilidades,
visualizei os sonhos verdadeiros.
Na cabeça tocava Barão Vermelho,
um pingue-pongue entre passado e futuro
travava uma disputa justa...
Por fim, atualizei minhas potências
em frente a Embaixada dos Estados Unidos da América.
O futuro venceu,
o passado reconheceu,
e o presente se compadeceu.
O que aconteceu depois?
Ah, o domingo e o seu silêncio.
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Reticente
O sonho foi apenas visual.
Nenhuma palavra foi dita.
Nossos olhos, em um raro momento de proximidade,
escreviam tratados de distância e falsa sinceridade.
[Reticências]
domingo, 24 de março de 2013
A cultura da desilusão
![]() |
Até que ponto podemos manter uma ilusão latente sobre os nossos anseios quando constantemente somos frustrados, desconsiderados e ridicularizados? |
Quando decido escrever sobre algum tema, seja
ele qual for, prefiro sempre lançar o meu olhar sobre a etimologia da palavra,
a curiosidade aponta para o que aquele termo escolhido tem a falar na sua
essência. É um caminho surpreendente, pois a partir das definições primárias, a
minha capacidade de reflexão se potencializa e a oportunidade de compartilhar
com o leitor ganha um poder incalculável.
Após alguns dias de intensa observação e
também de análise das muitas experiências dos últimos anos, quiçá de uma vida
inteira, tenho percebido que dois vocábulos diferentes na significação estão
não somente andando de mãos dadas, como muito bem casados, digo assim para
trazer uma imagem poética da situação que no fundo me deixa preocupado, e,
portanto, me faz escrever.
O nosso ponto de partida é a palavra “cultura”,
do latim colere significa cultivar, é
uma definição ampla na sua origem, mas que ao longo da história ganhou mais
especificidades pelos grandes pensadores em suas devidas áreas, são ao menos
200 tentativas. Quero pensá-la aqui como um hábito, uma crença analisada e uma
postura consciente diante do que vemos do mundo.
Outra palavra que acrescento nesta reflexão é
“desilusão”, variante de ilusão que vem do verbo em latim illudo (divertir-se, recrear-se, também burlar e enganar). Iludir
se configurou na língua portuguesa com o sentido de uma impressão enganosa ou
ter a esperança de algo desejável. Sendo assim, posso definir desilusão como a
perda temporária ou definitiva desta esperança, independentemente do grau, há
sempre a presença da decepção, uma palavra calejada e muito conhecida quando o assunto
é conquistas culturais e suas atribuições em todos os âmbitos.
Até que ponto podemos manter uma ilusão
latente sobre os nossos anseios quando constantemente somos frustrados,
desconsiderados e ridicularizados? Posso acreditar que haverá crescimento
moral, intelectual, físico e até mesmo espiritual do ser humano com teatros
fechados, interditados, inacabados ou em ruínas? Difícil. Existe a
possibilidade de artistas de todas as áreas serem respeitados, ouvidos e
dignificados? Ainda não a vejo. As instituições das diferentes esferas
(federal, estadual, municipal e iniciativa privada) algum dia conseguirão
dialogar, negociar, ceder, oferecer e promover a arte e a cultura¿ Um “talvez”
muito tímido grita dentro de mim. O dinheiro público será respeitado como
deveria quando o destino dele for para obras e projetos culturais? A dúvida é
sempre maior.
Mergulhado nestas e outras tantas questões
relacionadas me autodiagnostiquei com a moléstia que denomino “cultura da
desilusão”, porém terei chances de cura quando não usarem a cultura para
autopromoção de governos, quando um professor de artes for respeitado por
alunos, pais e outros professores, quando todos os espaços culturais estiverem
em pleno funcionamento, quando um artista recém-formado em universidade tiver
perspectivas de trabalho, quando a população não for mais enganada com falsas beneces,
trapaceada e subestimada na sua credulidade de dias melhores, e mais ainda,
quando a arte e cultura não forem tratadas com migalhas pelos que têm a ilusão
de não precisarem dela para evoluir suas almas. Até quando vai perdurar essa
desilusão catastrófica? Existe mesmo a cura? Que a luta nos seja o remédio.
Eduardo Humbertto
Uberlândia (MG)
eduardohumbertto@hotmail.com
FONTE:
Jornal CORREIO de Uberlândia
http://www.correiodeuberlandia.com.br/pontodevista/2013/03/24/a-cultura-da-desilusao/
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
O que há de mais sagrado
Poema do amigo e poeta Bruno Gaspari.
Visitem o blog dele, o conteúdo é de alta qualidade. RECOMENDO!
http://bs-bg.blogspot.com.br/
Curtam no Facebook a página: Poeticamente Falando, e receba as atualizações de amigos poetas
http://www.facebook.com/poeticamente.falando1?fref=ts
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
domingo, 10 de fevereiro de 2013
Poema do Pranto
Edição: Bruno Gaspari
Publicado em: Poeticamente Falando (Facebook)
Link: http://www.facebook.com/photo.php?fbid=222425584560980&set=a.197098350427037.51791.194948743975331&type=3&theater
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Vocalidades
Por Eduardo Humbertto
As
palavras pecam
pelo
excesso de sinceridade.
Como
um ‘repeat’ quebrado
as
facetas de uma mesma voz
me
enlouquecem...
As
nuances trazem
a
fragilidade como sub-texto,
e
mais uma vez
acredito
em tudo,
atribuindo
um atestado de
[confiança].
O
tempo, o vento e a vida
não
permitem que as palavras fiquem,
apontam
para o lado
[oposto]
e
esperam a minha reação.
Ah!
Se ao cessar dos olhos
o
silêncio fosse pleno.
Não
foi, não é e nunca será.
O
que é vivo no coração
lateja
por todos os poros em ondas sonoras de esperança.
* Poema finalista no Prêmio SESC de Poesia Carlos Drummond de Andrade 2011 - SESC-DF.
* Vai integrar a Antologia do Prêmio com publicação prevista ainda em 2012.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Alívio
Por Eduardo Humbertto
Hoje me permito
questionar o que se passa,
observo um objeto que
sempre esteve aqui
[e por tempos desprezado].
O empoeirado é um atrativo,
as folhas em branco pedem atenção,
preencho o bloco do poeta e,
venero aquela que chega, a inspiração.
Escrever sempre será
o meu impulso primeiro,
nunca pontual ou autoritário,
de atravessar as fases e...
[saborear os sentidos].
Com a coragem, antes ausente,
busco a firmeza dos rascunhos,
este combinado de lápis e madeira pálida,
que escondem o que senti um dia e
[ficou eterno].
sábado, 25 de agosto de 2012
O teatro de rua faz história no bairro Fundinho
HUMBERTTO, Eduardo. O teatro de rua faz história no bairro Fundinho. Jornal Fundinho Cultural. pg 10. Agosto/2012, Ano IX. Uberlândia-MG.
Fotografia: Simone Guaratto
O sol vibrante e o frio surpresa foram os ingredientes de uma tarde mágica na Praça Clarimundo Carneiro, dentro da programação do Festival Latino Americano de Teatro Ruínas Circulares – 4ª Edição, o bairro Fundinho foi o palco de um dia histórico para o teatro na cidade e toda a região.
O Grupo Tá Na Rua (RJ), um dos mais importantes e tradicionais do país no que diz respeito ao teatro de rua e referência também no exterior, presenteou a comunidade uberlandense com a apresentação do espetáculo “A Revolta de São Jorge Contra Os Invasores da Lua”, que ocorreu após um Cortejo Teatral no centro da cidade, findando-se na Praça Clarimundo Carneiro. Seus mais de 20 atores contaram a história da chegada do homem à lua e como São Jorge reagiu a esta invasão em seu território, com muita música e guiados pelo diretor/narrador Amir Haddad, grande nome das artes cênicas no Brasil, os atores encenaram a fábula com alegorias, muita expressividade, contato direto com o público e entusiasmo contagiante.
O Festival Latino Americano de Teatro Ruínas Circulares é uma realização da Universidade Federal de Uberlândia, e em sua quarta edição trouxe o tema: O Teatro e a Rua. Foi também um momento de prestar homenagens a personalidades do teatro brasileiro: a atriz Ana Carneiro (Professora do Curso de Teatro/UFU) e ao ator e diretor Amir Haddad, ambos são membros fundadores do Grupo Tá Na Rua há 32 anos.
As atividades do festival foram espalhadas pela cidade dando possibilidade de acesso para grande parte da população, e claro, o bairro Fundinho mais uma vez foi protagonista de momentos que só a memória tem a capacidade de recriar e guardar para a posteridade.
Eduardo Humbertto
Graduado em Teatro pela
Universidade Federal de Uberlândia
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Confira a versão impressa do Jornal FUNDINHO CULTURAL, pode ser encontrado em diversos pontos da cidade.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
[BUDDHA...]
"Não acredite em algo simplesmente porque ouviu. Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito. Não acredite em algo simplesmente porque esta escrito em seus livros religiosos. Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade. Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração. Mas depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão, e que conduz ao bem e beneficio de todos, aceite-o e viva-o." (Buddha)
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