quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Poema do Pranto

Por Eduardo Humbertto


[Trecho do Poema]

Posso chorar hoje?
Amanhã talvez não haverá mais tempo.
O pranto explode
em gestos agridoces,
a poesia se encontra aí
nas entrelinhas transparentes
tão cheias de sentido.

21/10/2010
Às 15:05h
À caminho de Brasília-DF

domingo, 17 de outubro de 2010

Foco... (DES) foco

Por Eduardo Humbertto

[Trecho do poema]...

A imagem é borrada
e o foco impreciso,
necessito realmente enxergar?
Acho que não, mas insistem...


14/10/2010
Às 11:42h
Uberlândia-MG

sábado, 2 de outubro de 2010

Ruir-se



[Trecho do poema...]

O outro rui,
minha casa rui,
meu cachorro rui,
o Ravel na prateleira rui,
por conseqüência o meu ser também rui,
respiro a poeira que está sob a cômoda,
tão dissimulada e parada
que contamina e faz o tempo impreciso...

*Poema inspirado livremente no universo da obra de Samuel Beckett (dramaturgo e escritor irlandês)

02/10/2010
Às 17:05h
Uberlândia-MG

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Pausa


[Trecho do poema...]

Pausa,
Anda,
Pausa, encontra o eixo, anda pela rua e sente a morte,
O mesmo que chega não é o mesmo que saiu.

Águas do céu borram as verdades
e os segredos escorrem dos meus pés, sujando o caminho...


30/09/2010
Às 14:40h
Uberlândia-MG

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Sobre Nostalgia...

"Saudade é amar um passado que ainda não passou, é recusar um presente que nos machuca, é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais..."

AVANTE!...
(Autoria desconhecida)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Vontade


[Trecho do poema...]

Sentimentos tolos me impregnam,
Caem sempre nas mesmas armadilhas...
Vêm à tona como se fossem sempre bem-vindos...
Não são, definitivamente...


16/09/2010
21:39h

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Escrever é domesticar a morte

Por Shyrley Pimenta

Mesmo não tendo o monopólio da iluminação, quando escutamos cuidadosamente a nós mesmos, caímos em silêncio, abatidos pelo peso da descoberta: é complicado lidar com incertezas, mistérios, dúvidas, sobretudo para aqueles de nós que se baseiam estritamente na razão, na aparência dos fatos, na busca forçada por uma paz, semelhante à dos cemitérios. Talvez por isso, o poeta Charles Baudelaire tenha escrito: corremos para nos perder na multidão, por temor de não poder suportar-nos a nós mesmos.

Também por isso, a escrita se revela uma via de salvação. Escrever é evocar fantasmas, relembrar lugares, pessoas conhecidas, amores, amigos. Escrever é uma forma alternativa de conjurar nossos medos. A escrita possibilita tematizar a vida através de palavras e imagens, configurando uma forma de responder às frustrações e derrotas cotidianas.

Escrever é destrinchar a estrutura do real, esse mistério complexo, sutil, pleno de matizes desconcertantes. Escrever é uma forma de lidar com as perdas. É dar cor e voz aos impulsos paradoxais do desejo humano, que ultrapassa os limites do socialmente aceito e conveniente. Escrever é afirmar Eros, a vida, e também seu contrário, Tânatos, a morte. Escrever é reafirmar a verve crítica e libertária, avessa a conformar-se aos interesses menores do lucro, do conforto, das conveniências.
Escrever é metamorfose. É triunfo da vontade, do desejo de ser mais, de criar e experimentar dimensões novas, de si e do outro. Não se escreve por acaso. Por um acaso vazio e sem sentido. Escreve-se por destino. Por uma necessidade intrínseca e profunda de mudança, renovação. Escreve-se para barrar a desfiguração crescente do homem, da natureza, característica da existência moderna, turbulenta, excessiva, veloz e caótica.

Escrever é acercar-se do inusitado, é combinar de modo insólito as palavras para penetrar sem rodeios na alma humana, despidos de quaisquer moralismos, sobretudo daqueles que nos foram introjetados na infância, para aceitar a arte, a beleza da arte, sem preconceitos. Escrever é abandonar a contemplação medíocre da vida bem comportada, para transformar-se num arquiteto do absurdo, do impossível.

Daí a relutância em festejar a autoajuda ou a panfletagem, travestidas de literatura. Só a literatura é capaz de romper o cerco que aparta arte e vida, restituindo o sentido pleno às experiências vividas, aproximando-nos do fascínio da natureza, a ponto de desejarmos nela dissolver-nos (afinal, é esse nosso destino último), como diria Cesare Pavese (1908-1050): “Eis-me pedra, umidade, fumaça, sumo de fruta, vento...”

Escrever é selecionar palavras carregadas de destino. É evocar a longínqua infância, única idade verdadeiramente humana e autêntica, porque faz do amor o peso da existência, núcleo remoto de sentimentos, de fantasias, “cujos fogos só se iluminam bem sob o luto fechado da noite”, diria Baudelaire. Entretanto, a infância é apenas um instante vertiginoso que cintilou, brevemente, e se perdeu no tempo. Mas escrever é auscultar esse tempo perdido, é uma forma de lançar à existência um demorado olhar clínico, é a arte de contrapor-se, com coragem, a qualquer projeto de aniquilação, fruto da crueldade humana. Escrever é domesticar o medo. Escrever é domesticar a morte.

Shyrley Pimenta é psicóloga clínica
Fonte: Jornal Correio de Uberlândia - 31/08/2010
http://www.correiodeuberlandia.com.br/?tp=coluna&post=20761&uid=37

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Passagem...

Eis que chega o melhor dia do ano...
O tão esperado por mim: 02 de setembro. É muito mais do que simplesmente comemorar um aniversário, é ter a certeza de que tudo até hoje valeu muito a pena, e que a possibilidade de dar continuidade é um presente sem tamanho.
Chega os 21, agora sou adulto perante os olhos da sociedade, não que nessa altura da vida a idade faça tanta diferença, mas sinto como uma passagem, uma nova porta que se abre na minha história... vejo que com tão pouca idade, já consegui realizar muitas coisas, umas por mérito, outras por sorte e outra mais por presente do destino.
Tenho a plena consciência de que não alcancei nada sozinho, e guardo com toda atenção os que me ajudaram e influenciaram para que me tornasse o que sou hoje, e resultará no que poderei ser amanhã...

Estou feliz, e espero que a nova idade, traga consigo o que eu realmente precisar para me tornar uma pessoa melhor.

Obrigado a todos pelas manifestações de carinho e atenção.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Deliriu(s)

Por Eduardo Humbertto

[Trecho do poema...]

Escrever me parece
tão pertinente.
Contudo, as idéias se embaralham
e meu ponto de vista
torna-se camaleônico.

26/08/2010
Às 10:19h

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

PROCURA-SE

Por Eduardo Humbertto

[Trecho do poema...]

Nesta busca me perco,
E os detalhes me distraem,
Tirando-me a noção do todo,
Do que é divino, profano e acima de tudo essencial.


09/08/2010
13h22min
Uberlândia-MG

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A primeira crítica teatral

Divido com vocês o texto que considero a minha primeira crítica teatral publicável,
tanto é que já foi, no Jornal 'Diário de Classe' Teatral, organizado por Mª do Perpétuo Socorro Calixto Marques. BOA LEITURA.

INVEJA DOS ANJOS: O EQUILÍBRIO DA CONCEPÇÃO

O nome nos faz viajar no que poderia ser a temática do espetáculo, mas nenhum devaneio poderia adiantar o que o Armazém Cia. de Teatro do Rio de Janeiro traria à cena com ‘Inveja dos Anjos’, na direção de Paulo de Moraes.

A escolha do título da obra é um dos acertos na concepção do espetáculo como um todo, além de profundo, é bastante significativo dentro do contexto da ação dramática desenvolvida. A dramaturgia de Maurício Arruda Mendonça e Paulo de Moraes é consistente e bem elaborada tornando-se uma ligação instantânea com o público, este que embarca em uma viagem introspectiva dos seus sentimentos mais pessoais e que a todo o momento são trazidos à tona, seja em uma palavra ou frase inteira.

O texto seduz, envolve, emociona e revigora, é um ponto de destaque no trabalho, a palavra trazida nos diálogos pulsa além do texto em si. “A memória é uma prisão.” O que uma simples frase como esta pode despertar em um público ávido pela experiência de troca que só o teatro proporciona? É um convite imediato a olhar para si mesmo e identificar passagens, lembranças e pessoas que nossa memória não deixa escapar, é acima de tudo trazer a consciência do que estamos guardando e o porquê disto, consequentemente a reflexão é inevitável. Há também de se considerar o modo como a dramaturgia é encenada, é notável os alicerces sólidos na pesquisa temática e formal da companhia.

A dramaturgia sugere ainda uma identificação imediata com situações vividas pelos personagens, muito enraizadas nas lembranças que cada um de nós tem e que em algum ponto se entrelaçam e despertam sentimentos submersos. Os atores, formidáveis em seus papéis, contribuíram para que o espetáculo mostrasse um aspecto de alteridade, sendo assim, ver as histórias, os conflitos, as contradições, os desesperos e as epifanias do outro, repercute de uma forma que nos vemos nos personagens e suas trajetórias, e internamente buscamos uma melhor maneira de lidar com isso.

O cenário insere em destaque os trilhos de uma ferrovia que se estende na verticalidade, dando uma maior dimensão ao espaço cênico, a iluminação bem pontuada se harmoniza com as transições do maquinário que entram e saem pelas laterais de forma bem colocada. Isso mostra um grande caráter funcional, onde o que está posto corresponde ao que está sendo encenado.

A sonoplastia vem de encontro ao reforço das lembranças que permeia os personagens, contempla a beleza e harmonia das cenas nos presenteando com emoções fortes. Tudo isso se deve à fluência que existe no grupo já consolidado, que passa pela generosidade em cena, o desejo de somar as potencialidades individuais e o mais importante deixar claro no contexto da cena o quanto aquilo que estão fazendo realmente os tocam, tornando ‘Inveja dos Anjos’ um espetáculo para ser contemplado muitas vezes.

Texto, direção, atuações, cenário, figurino, trilha sonora e iluminação fazem desta montagem do Armazém Cia. de Teatro uma referência no teatro brasileiro dos últimos tempos. A matéria prima do teatro é o ser humano em todas as suas atribuições, isto transposto à cena de maneira poética – como foi ‘Inveja dos Anjos’ - sempre será um convite a apreciar uma obra de arte teatral.

Eduardo Humbertto
Aluno do 6º período do Curso de Teatro da Universidade Federal de Uberlândia

* HUMBERTTO, Eduardo. Inveja dos Anjos: O equilíbrio da concepção. Jornal Diário de Classe Teatral. Curso de Teatro - UFU. nº1. Junho/2010, pg 06.

terça-feira, 29 de junho de 2010

(EGO)... ismo

Por Eduardo Humbertto

[Trecho do poema...]

Exílio voluntário,
quero sentir o vazio que preenche,
sentir no último grau
o que é necessário.

02/06/2010 às 14h52min
Brasília-DF

Regresso!

Caros Leitores...
Desculpem-me a falta de tempo de postar aqui, aconteceram tantas coisas de um mês pra cá, juntando com final de semestre da faculdade e tudo mais...
Mas, o importante é que agora estou de volta, e muito a fim de escrever, afinal, as férias estão chegando... não que seja sinôimo de descanso, mas tem muita coisa boa junto...

sexta-feira, 21 de maio de 2010

1ª Performance



Ação Performática Autobiográfica
Inspirado no poema "A Lucidez Perigosa" de Clarice Lispector.

O que em você está escrito [em.letras.minúsculas]???

Conto com a presença de vocês.
Abraços.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

A Lucidez Perigosa - Clarice Lispector


Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.

Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.

Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade
- essa clareza de realidade
é um risco.

Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve
para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.

sábado, 27 de março de 2010

Sorriso Ausente

[Trecho do poema...]

Eu não te conhecia,
nem mesmo sabia de tua existência,
mas a sua súbita partida
me fez parar,
parar por um momento
e lembrar que vivo num lugar
de desamor e seres doentes,
o que sempre procuro esquecer
para conseguir seguir em frente.

18/04/2008 - 22:34h
Poema dedicado à Isabella Oliveira Nardoni

segunda-feira, 22 de março de 2010

Inveja dos Anjos: O espetáculo de uma vida.


O teatro mais uma vez se faz presente na minha vida de uma maneira posso dizer até transcedental... o espetáculo "Inveja dos Anjos" do Armazém Cia. de Teatro veio no momento mais propício possível. Foram quase duas horas de uma troca formidável, me emocionei em muitos momentos, pois me via nas situações que os personagens viviam... enfim, tudo fazia um sentido absurdo. Isso sem falar no texto... o que era aquilo?... há muito tempo um texto no teatro não fazia sentido para mim, ultimamente quando assistia uma peça outros aspectos me chamavam a atenção, menos o texto... agora com "Inveja dos Anjos", o texto foi um ponto alto dentro de um conjunto de acertos do grupo na concepção como um todo. Muito merecidos os Prêmios Shell de Melhor Texto e o de Melhor Atriz para Patrícia Selonk.
QUERO ASSISTIR DE NOVO!

Recomendo: "Inveja dos Anjos"... do Armazém Cia. de Teatro. Leia a crítica que escrevi: http://laboratoriodacritica.blogspot.com/2010/03/inveja-dos-anjos-o-equilibrio-da.html

Veja esse vídeo abaixo com alguns momentos do espetáculo.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Frase solta que vale guardar.

"em viagens incessantes por mim mesmo, descubro respostas curiosas à pergunta redefinidora; 'quem sou eu?', mas todas essas respostas não passam de esboços mal-feitos, tentativas frustradas de desenhar perfis incolores de alguém que realmente não se dá ao luxo de simplesmente existir." - Diego Lanza.

Frase inspirada na vida e obra de Clarice Lispector.

Eu preciso falar mais alguma coisa?