quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Retrato do Desconhecido

Por Augusto Frederico Schmidt

Ele tinha uns ombros estreitos, e a sua voz era tímida,
Voz de um homem perdido no mundo,
Voz de quem foi abandonado pelas esperanças,
Voz que não manda nunca,
Voz que não pergunta,
Voz que não chama,
Voz de obediência e de resposta,
Voz de queixa, nascida das amarguras íntimas,
Dos sonhos desfeitos e das pobrezas escondidas.

Há vozes que aclaram o ser,
Macias ou ásperas, vozes de paixão e de domínio,
Vozes de sonho, de maldição e de doçura.
Os ombros eram estreitos,
Ombros humildes que não conhecem as horas de fogo do
amor inconfundível,

Ombros de quem não sabe caminhar,
Ombros de quem não desdenha nem luta,
Ombros de pobre, de quem se esconde,
Ombros tristes como os cabelos de uma criança morta,
Ombros sem sol, sem força, ombros tímidos,
De quem teme a estrada e o destino
De quem não triunfará na luta inútil do mundo:
Ombros nascidos para o descanso das tábuas de um caixão,
Ombros de quem é sempre um Desconhecido,
De quem não tem casa, nem Natal, nem festas;
Ombros de reza de condenado,
E de quem ama, na tristeza, a sombra das madrugadas;
Ombros cuja contemplação provoca as últimas lágrimas.

Os seus pés e as suas mãos acompanhavam os ombros
num mesmo ritmo.
Mãos sem luz, mãos que levam à boca o alimento
sem substância,
Mãos acostumadas aos trabalhos indolentes,
Mãos sem alegria e sem o martírio do trabalho.
Mãos que nunca afagaram uma criança,
Mãos que nunca semearam,
Mãos que não colheram uma flor.
Os pés, iguais às mãos
— Pés sem energia e sem direção,
Pés de indeciso, pés que procuram as sombras e o esquecimento,
Pés que não brincaram, pés que não correram.

No entanto os olhos eram olhos diferentes.
Não direi, não terei a delicadeza precisa na expressão
para traduzir o seu olhar.
Não saberei dizer da doçura e da infância daqueles olhos,
Em que havia hinos matinais e uma inocência, uma tranqüilidade,
um repouso de mãos maternas.

Não poderei descrever aquele olhar,
Em que a Poesia estava dormindo,
Em que a inocência se confundia com a santidade.
Não poderei dizer a música daquele olhar que me surpreendeu um dia,

Que se abriram diante de mim como um abrigo,
E que me trouxe de repente os dias mortos,
Em que me descobri como outrora,
Livre e limpo, como no princípio do mundo,
Envolvido na suavidade dos primeiros balanços,
Sentindo o perfume e o canto das horas primeiras!
Não direi do seu olhar!

Não direi do seu olhar!
Não direi da sua expressão de repouso!
Ainda não sei se era dele esse olhar,
Ou se nasceu de mim mesmo, num rápido instante de paz
e de libertação!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Esquadros - Adriana Calcanhotto ♫

Composição: Adriana Calcanhotto

Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Cores!

Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção
No que meu irmão ouve
E como uma segunda pele
Um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Ai, Eu quero chegar antes
Prá sinalizar
O estar de cada coisa
Filtrar seus graus...

Eu ando pelo mundo
Divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome
Nos meninos que têm fome...

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...

Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm
Para quê?
As crianças correm
Para onde?
Transito entre dois lados
De um lado
Eu gosto de opostos
Exponho o meu modo
Me mostro
Eu canto para quem?

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Pensamento


[Trecho do Poema]

Os bons momentos
são mais claros
quando já não são tão bons assim.

O agradecimento deve vir
embutido à [saudade],
e preceder a reflexão.

27/01/2011
Às 15:38h
Uberlândia-MG

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Balanço


[Trecho do Poema]

Escrever agora é um perigo,
eu bem sei...
As palavras não tem o sentido,
a intensidade e a clareza de que necessito tanto.

A inspiração tenta,
eu lanço o olhar em volta,
porém, o meu ‘ilhamento’ não me deixa
enxergar além do próprio eixo.
Cadê as perspectivas? Os sonhos? A simplicidade da vida?


05/02/2011
Às 16h05min
Uberlândia-MG

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Do Ofício de Viver

Por Shyrley Pimenta

O insuportável não é só a dor, mas a falta de sentido da dor, mais ainda, a dor da falta de sentido. (Oswaldo Giacoia Jr.)
Os escritos do filósofo alemão Nietzsche propõem-nos uma luta ferrenha contra tudo e contra todos os que insistem em rebaixar o homem, torná-lo escravo do mundo e dos poderes instituídos. O homem do nosso tempo precisa mergulhar fundo nos textos do referido filósofo, se quiser readquirir a liberdade perdida, o sentido superior da existência, se quiser quebrar os grilhões que o mantêm atado a uma vida de prazeres desordenados, entorpecentes e alienantes. A proposta do filósofo-poeta é que o homem aprenda a se confrontar, superando sua covardia, sua escravidão consentida, sua aptidão demasiado fácil para a submissão, a domesticação.

Nosso tempo exige homens e mulheres “apaixonados” pela vida, capazes de manter a cabeça erguida, apesar das dores do mundo, buscando iluminar (ou decifrar) os enigmas, as engrenagens, as armadilhas sutis da existência, sobrecarregada de vaidades, intrigas e preconceitos. Urge que nos coloquemos a inevitável questão: o que em nós se curva, tão facilmente, à vontade arbitrária de outrem?

Frente à liberdade ameaçada e aos sonhos frustrados, o instinto de sobrevivência nos impele a buscar alternativas. Para opor-se às tendências culturais dominantes, entre as quais se destaca o atual isolamento social humano, a arte em geral se coloca como uma poderosa força de resistência, um ponto de partida para o novo, para uma transformação radical das estruturas sociais opressivas, desumanas, cruéis. (Que o prezado leitor me perdoe por retomar o mesmo tema. A boca fala do que está cheio o coração). De fato, a arte pode colocar-nos na presença do indizível, preenchendo espaços vazios, dando alento e força para as necessárias transformações. Você, leitor amigo, que conhece a música de um Wagner, de um Mozart, a tragédia grega antiga, os grandes nomes da literatura universal, sabe bem de que falo.

A arte leva-nos a confrontar, com trágica sinceridade, nossos fracassos, nossa intolerância, nossas fraquezas, enfim, a matéria prima (o barro) de que somos feitos. A arte pode confrontar-nos, de forma funda e integral, com nossa ambiguidade, aparentemente sem saída, com nosso desinteresse pela leitura atenta dos caprichos a que a vida nos submete.

A arte nos propõe um desfiar cuidadoso da nossa intimidade e, ao mesmo tempo, um estilo clínico de observar e auscultar o mundo, sem tempo para futilidades, com a determinação e a persistência de condenados à morte (pois que o somos, de fato). Enfim, o convívio com a arte pode ser um modo melhor de lidar com os desacertos, com a crueldade, com a atmosfera envenenada do mundo.

Tropeçando nas palavras, nos acontecimentos, vamos abrindo brechas e clareiras, e com os fiapos da nossa vida banal, quem sabe, possamos reescrever uma narrativa nova, transformando nossa paisagem de desamparados, produzindo um milagre (profano), alimentado pelo desejo forte e profundo de também sermos abraçados pela tal felicidade. Pois, como já disse o cronista Luis Fernando Veríssimo, o ofício de viver requer prática, habilidade e um talento incomum. A vida, minha gente, não é pra qualquer um!

FONTE: Coluna 'Ponto de Vista', do Jornal CORREIO de Uberlândia. 02/02/2011.
http://www.correiodeuberlandia.com.br/blog/REDACAO/37/ponto_de_vista.html

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

20 anos blue - Elis Regina ♫

Ontem de manhã quando acordei
Olhei a vida e me espantei
Eu tenho mais de 20 anos

E eu tenho mais de mil perguntas sem respostas
Estou ligado num futuro blue

Os meus pais nas minhas costas
As raizes na marquise
Eu tenho mais de vinte muros
O sangue jorra pelos furos pelas veias de um jornal
Eu não te quero
Eu te quero mal

Essa calma que inventei, bem sei
Custou as contas que contei
Eu tenho mais de 20 anos

E eu quero as cores e os colirios
Meus delirios
Estou ligado num futuro blue

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Vasto


[Trecho do Poema]

O ar comprimido
não me sustenta,
e o que vejo foge
da minha visão cotidiana,
a melodia ao fundo me
acalma,
alenta,
conforta,
tranqüiliza e
[me prende...]

Piso no desconhecido
e consigo ir mais longe...
não preciso alterar o passo,
no caminho surpreendente
retiro meus próprios obstáculos.


29/12/2010
Às 23:17h

domingo, 23 de janeiro de 2011

Encontro



[Trecho do Poema]

Com a poesia intrínseca
nos gestos, na feição e na atitude,
os tempos da minha vida são expostos,
com a dureza da verdade
e a libertação do auto conhecimento.


23/01/2011
Às 16:26h
Uberlândia-MG

Gentileza - Marisa Monte ♫

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
A palavra no muro
Ficou coberta de tinta

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
Só ficou no muro
Tristeza e tinta fresca

Nós que passamos apressados
Pelas ruas da cidade
Merecemos ler as letras
E as palavras de Gentileza

Por isso eu pergunto
À você no mundo
Se é mais inteligente
O livro ou a sabedoria

O mundo é uma escola
A vida é o circo
Amor palavra que liberta
Já dizia o Profeta

http://www.youtube.com/watch?v=mpDHQVhyUrY&feature=player_embedded

sábado, 22 de janeiro de 2011

Salmo 23 (22)


Javé é o meu pastor.
Nada me falta.
Em verdes pastagens me faz repousar;
para fontes tranquilas me conduz,
e restaura as minhas forças.
Ele me guia por bons caminhos,
por causa do seu nome.
Embora eu caminhe por um vale tenebroso,
nenhum mal temerei, pois junto a mim estás;
teu bastão e teu cajado me deixam traqüilo.

Diante de mim preparas a mesa,
à frente dos meus opressores;
unges minha cabeça com óleo,
e minha taça transborda.
Sim, felicidade e amor me acompanham
todos os dias da minha vida.
Minha morada é a casa de Javé,
por dias sem fim.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Jóia de um povo - o coração da metrópole que pulsa vida


Meus pés pisam firme neste chão,
os olhos se perdem nos detalhes,
meus braços querem abraçar o que já não existe mais
são os fragmentos de uma história que o tempo devorou.

Reviro o baú precioso da nossa história,
encontro a jóia mais antiga e relucente...
é o Fundinho, nosso começo ancestral,
do presente borbulhante
e futuro da recriação contínua.

Fundinho - o berço da gente -,
é o aconchego de estar em casa,
A beleza de vislumbrar suas edificações,
onde o hoje se harmoniza com o ontem,
é inspirador andar por suas ruas cheias de história.

Continuarás guardado sempre
como a jóia mais preciosa de um povo,
que se orgulha de aqui viver
e continuamente se encantar
com o seu charme e poesia .


Texto: Eduardo Humbertto
Quadro: Hélvio Lima, Coreto, 2006.
FONTE: Jornal Fundinho Cultural, edição 15. Março 2010 - Ano VII. Uberlândia-MG

domingo, 16 de janeiro de 2011

1º Concurso de Poesia BELACOP LIVROS!


Caros leitores/amigos,

Venho dividir com vocês mais uma conquista literária que obtive hoje. Se trata do 1º Concurso de Poesia BELACOP LIVROS. Fui um dos selecionados para compor uma publicação da editora paulistana Belacop, a ser lançada no próximo mês em São Paulo-SP.
O responsável pelo reconhecimento foi o poema "Ruir-se", que escrevi no ano passado enquanto tomado pelos estudos do universo da obra de Samuel Beckett, por conta da montagem do espetáculo "Fim de Partida" do qual fiz parte. O poema também foi inserido no programa do espetáculo, sendo assim, todos que assistiram possuem um exemplar.

Parte do programa do espetáculo "Fim de Partida".


E vamos seguindo em frente... o ano está apenas começando.
Abraços, e aguardem novos textos.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Verbos


[Trecho do Poema]...

Nas verbalidades implícitas,
saio em busca da compreensão que não existe.
A subjetividade guia uma mente que não descansa
[e ponto.]


14/01/2011
Às 12:25h
Uberlândia-MG

domingo, 9 de janeiro de 2011

Parto


[Trecho do poema]...

Aprecio quando o poema
Tenta um diálogo antes de vir à tona.
Mesmo sem precisão,
ele me diz como quer ser visto.

04/11/2010
Às 11:08h
Uberlândia-MG

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

De Largo da Matriz à Praça Cícero Macedo – o nosso marco zero

Por Eduardo Humbertto


Parte das antigas terras de D. Francisca Alves Rabelo, a Praça Cícero Macedo, está totalmente diferente de seus primórdios, e permeia memórias alegres - não muito distantes - da minha infância, lá aprendi a andar de bicicleta, - idos tempos em que as crianças brincavam fora de casa -, percebia desde cedo se tratar de um local importante para a cidade, mas não entendia o quanto.

Cenário de inúmeras alterações que o tempo, as pessoas e as circunstâncias foram responsáveis, a praça permanece ali como se nenhuma transformação a tivesse abalado. Estar nela é experienciar o quanto a história é dinâmica e surpreendente.

A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo - onde meus avós selaram um casamento que durou por toda uma vida -, só existe no quadro da sala de jantar, apreciá-lo é uma viagem no tempo de ruas sem calçamento, transeuntes que povoavam o imaginário da pequena Uberabinha, e mais ainda, é sentir a presença de um passado remoto, mas que ressurge como um enredo que pulsa e não quer ser apagado.

Até bem pouco tempo os moradores do entorno da praça enfrentavam problemas de ordem pública, se tratava do uso errôneo do espaço por parte de jovens para festas nas madrugadas, com bebidas, muito barulho, o que levava ao desrespeito à lei do silêncio e da ordem. Em virtude disto, um Termo de Ajustamento de Conduta foi firmado entre os moradores, Prefeitura Municipal, Ministério Público Estadual, Polícia Militar e representante do mercado situado na praça, para restringir as atividades das 5h às 24h com rondas diárias da Polícia Militar, e conseqüentemente cessar o comportamento equivocado dos jovens. A medida se mostra eficaz e está trazendo tranqüilidade aos moradores.

Existe pendente a execução de um projeto de revitalização da praça, evidenciando ali o marco zero da pacata São Pedro de Uberabinha que se tornou a Uberlândia moderna, progressista e ambiciosa. Aguardamos muito por este momento de perpetuação de um espaço tão importante para a nossa memória, e que as futuras gerações possam ler a história da cidade apenas transitando pelas ruas e praças do bairro Fundinho, e não somente pelos livros ou histórias contadas pelos mais vividos.

FONTE: Jornal Fundinho Cultural, edição 18. Dezembro 2010 - Ano VII. Uberlândia-MG

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

2010, o tempo que fica... [um relato]


O que se pode esperar de um ano que termina em dez? Talvez a resposta mais urgente e impulsiva seja que ele será dez, porém nem as melhores expectativas previam o que foi o ano de 2010.

Receio cair apenas nos adjetivos e não conseguir transpassar o que foi este ano em minha vida, um tempo incrível em praticamente todos os sentidos, de oportunidades únicas e especiais, de lugares novos e que já fazem parte da minha história de vida.

2010 veio para eu colocasse o pé na estrada e conhecesse esse Brasil a fora, norte a sul, leste a oeste, alcançando a incrível marca de mais de 16.848 km rodados, entre viagens de trabalho e outras fugas para retomar o fôlego e continuar as atividades.

Em uma noite inesquecível na Esplanada dos Ministérios conheci as “Dionisíacas” de Zé Celso e o seu Teatro Oficina, para mim uma experiência única e marcante como artista em formação, estar em comunhão com o teatro amparado nas mitologias grega, xamânicas, indígenas e africanas juntamente com uma lenda viva do teatro brasileiro me mostrou que eu não estava ali por acaso.

O teatro me levou a lugares que jamais imaginei ter contato tão cedo, a começar por Blumenau, uma cidade encantadora, seja pela ingenuidade de seus jardins ou no ritmo de vida que apesar de agitado não nos altera, me ensinou que a tempo de parar em uma praça e contemplar um belíssimo teatro, por exemplo, como o Carlos Gomes, e mais ainda descobrir quais os detalhes que uma cidade que nunca se teve proximidade podem ir se revelando aos poucos, seja numa lixeira, poste de luz ou a arquitetura alemã totalmente intacta.

Logo depois, aceitei aquela que foi a maior aventura de todos os tempos, fui buscar o teatro no lugar mais distante até então... PORTO VELHO, capital de Rondônia, sim, imagina... e sem verba para transporte aéreo, mas como nada é por acaso, enfrentei a aventura de peito aberto e com a confiança de sempre. Após dois dias e duas noites de viagem cheguei no ‘Amazônia Encena na Rua’, maior festival de teatro de rua do Brasil, aí foi um aprendizado atrás do outro, terra completamente nova e diferença da nossa Gerais, o calor típico da Amazônia é algo que realmente te impede até de pensar, mas nada que uma excelente piscina não resolva. Lá participei acidentalmente do meu primeiro festival de teatro, dois dias antes da apresentação entrei para substituir membros do grupo que não puderam viajar, um desafio e tanto, em se tratando da importância do Festival, e claro, não posso deixar de agradecer ao grupo Autônomos de Teatro pela confiança, e por juntos termos vencido esse grande desafio.
Conheci também o VERDADEIRO AÇAÍ, não me arrisquei nas comidas típicas amazônicas, mas pude me render ao açaí, essencialmente natural, preto e com gosto de barro, feito por índias e servido poucas horas antes da nossa apresentação no Festival.

A volta seria o maior aprendizado de todos, com enormes dificuldades técnicas com o transporte, quebramos próximo à cidade de Porto Esperidião no estado do Mato Grosso próximo à divisa com a Bolívia, sim, onde naquele momento estava acontecendo uma operação da Polícia Federal contra o tráfico de drogas e armas, a cidade estava sitiada, a população com medo até de sair na porta de casa, e até que nosso transporte voltasse à normalidade, ficamos lá sem informações concretas do que estava acontecendo, porém unidos, e aproveitamos a oportunidade, e tomamos a decisão de apresentar o espetáculo que havíamos levado ao “Amazônia Encena na Rua”, saímos pelas ruas da cidade, completamente vazias, cantando, batendo um bumbo e convidando as pessoas para assistirem ao espetáculo que em seguida iria acontecer na praça, lembro bem desse momento, as pessoas olhando desconfiadas pelas janelas e portas das casas, sem entender do que se tratava. Aos poucos as crianças foram se juntando e saíram batendo nas outras casas ainda fechadas convidando outras crianças para verem o teatro que tinha chegado. Foi um momento emocionante, pois senti na pele o quanto o teatro pode ser importante na vida das pessoas, e principalmente quando elas estão passando por momentos delicados, como era o caso. Apresentamos na praça, onde se juntou mais de 50 pessoas, a maioria crianças de várias idades, que se deliciavam com o que viam, participavam e se deixavam atingir pela nossa energia e boa intenção de levar um momento de descontração a elas.

Bem, depois desse momento tão memorável da minha vida, voltei para Uberlândia com grandes lições que só a vivência poderia me proporcionar.
Depois, voltei a alguns lugares importantes Salvador, Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo, todas as viagens muito produtivas e de crescimento artístico e pessoal. Por isso insisto em dizer que 2010 foi o ano das oportunidades, agarrei todas com afinco e aprendi muito com todas elas.

Este ano também foi o ano dos poemas, escrevi muito, produzi coisas interessantes, outras nem tanto, mas me atirei nesse universo da escrita sucinta e poderosa de sentidos, e o que me alegra é ver que as pessoas se identificaram com meus textos, e que eles serviram de vozes para estas pessoas externalizarem o que sentem. Para fechar o ano com chave de ouro, consegui algo que buscava já a algum tempo, um respaldo técnico sobre os poemas que escrevo, ele veio com o reconhecimento do III Prêmio Literário Canon de Poesia. Entre mais de 3.000 poesias inscritas, a minha “PROCURA-SE” foi uma das selecionadas para compor uma antologia poética que está sendo publicada e será lançada em São Paulo-SP no início de 2011. É o primeiro passo nesse rumo muito novo para mim, mas que espero vem com sucesso e traga bons frutos.
Esse foi apenas um recorte do que foi 2010, entre coisas muito boas, e ruins, faço uma avaliação positiva, resumindo em uma palavra: APRENDIZADO, e para terminar inseri abaixo um texto que recebi hoje de um amigo, que retrata o que andei pensando muito nos últimos dias... Boa leitura... E que venha 2011.


LIVRO NOVO

(Autor desconhecido)

Encerra-se mais um ano em sua vida...
Quando este ano começou, ele era todo seu.
Foi colocado em suas mãos...
Podia fazer dele o que quisesse...
Era como um Livro em Branco, e nele você podia ter um poema, um pesadelo uma blasfêmia, uma oração.
Podia...
Hoje não pode mais, já não é seu.

É um livro já escrito...
Concluído...
Como um livro que tivesse sido escrito por você, ele um dia lhe será lido, com todos os detalhes, e não poderá corrigi-lo.

Estará fora de seu alcance.
Portanto...
Antes que termine este ano, reflita, tome seu velho livro e folheie com cuidado...
Deixe passar cada uma das páginas pelas mãos e pela consciência;
Faça o exercício de ler a você mesmo.

Leia tudo...
Aprecie aquelas páginas de sua vida em que usou seu melhor estilo.
Leia também as páginas que gostaria de nunca ter escrito.
Não...
Não tentes arrancá-las.

Seria inútil...
Já estão escritas.
Mas você pode lê-las enquanto escreve o novo livro que será entregue.
Assim, poderá repetir as boas coisas que escreveu, e evitar repetir as ruins.

Para escrever o seu novo livro, você contará novamente com o instrumento do livre arbítrio, e terá, para preencher, toda a imensa superfície do seu mundo.
Se tiver vontade de beijar seu velho livro, beije.
Se tiver vontade de chorar, chore sobre ele e, a seguir, coloque-o nas mãos do Criador.

Não importa como esteja...
Ainda que tenha páginas negras, entregue e diga apenas duas palavras: Obrigado e Perdão!!!
E, quando o novo ano chegar, lhe será entregue outro livro, novo, limpo, branco, todo seu, no qual irá escrever o que desejar...

FELIZ LIVRO NOVO!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

III Prêmio Literário Canon de Poesia

"Canon divulga lista dos ganhadores da terceira edição do “Prêmio Literário Canon de Poesia”


"Fico muito feliz com o reconhecimento deste Prêmio, já há algum tempo esperava um respaldo mais técnico da poesia que estou escrevendo nos últimos tempos, este Prêmio veio justamente neste momento de busca e reflexão sobre a minha própria escrita. Fico ainda mais satisfeito em saber que o meu texto vai circular por este país à fora, essa é a grande alegria do escritor/poeta, ver a sua obra sendo analisada, degustada e apreciada por diferentes pessoas e lugares." - Eduardo Humbertto


Empresa elegeu os 50 melhores textos que serão publicados no livro de poesias feito em parceria com a Fábrica de Livros
A Canon, empresa japonesa especializada no desenvolvimento de tecnologias de gerenciamento de documentos e de imagem, anuncia os vencedores do “III Prêmio Literário Canon de Poesia”, realizado em parceria com a Fábrica de Livros e a Editora Scortecci. Foram escolhidos os 50 melhores textos, que serão reunidos em um livro a ser lançado nos primeiros meses de 2011.

Com tema livre, o concurso, que teve sua abertura na 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo e aconteceu entre 13 de agosto e 30 de setembro, recebeu mais de 3 mil inscrições. Os finalistas foram escolhidos por uma comissão julgadora, composta por profissionais de renomado prestígio literário e cada vencedor receberá dez exemplares da obra e contará ainda com a divulgação e promoção da antologia pela Canon nas suas ações de Marketing e Propaganda, no período de um ano.

“O objetivo desse concurso é revelar talentos, promover a literatura e difundir a impressão digital de livros no país e a cada ano estamos conseguindo movimentar muitas pessoas e desenvolver neles o interesse cultural”, afirma Jun Otsuka, presidente da empresa no Brasil.

Confira os nomes dos poetas vencedores do III Prêmio Canon de Poesia:


Alam Cristian Arezi – Porto União/SC
Allan Pitz Ribeiro de Souza - Rio de Janeiro/RJ
Almir Guilhermino da Silva - Marechal Deodoro/AL
Altair dos Santos Paim - Salvador/BA
Ana Karina Pereira dos Santos Soares - Recife/PE
Ana Laura Dimas de Freitas Rabelo - Belo Horizonte/MG
Arthur Rodrigues Clemente - São Paulo/SP
Augusto Barros Mendes - Niterói/RJ
Augusto de Oliveira Junior - Macapá/AP
Benedito Cirilo dos Santos Filho - S. G. do Sapucaí/MG
Bruna Souza de Oliveira - Novo Hamburgo/RS
Carlos Eduardo Marcos Bonfá - Socorro/SP
Carlos Oliveira Rodrigues - Sobral/CE
Carlos Roberto da Rosa Rangel - Santa Maria/RS
Eduardo Francisco Jaques Neto - Torres/ RS
Eduardo Humberto Ferreira - Uberlândia/MG
Elaine Vincenzi Silveira - São Paulo/SP
Eleni Carvalho - Diadema/SP
Francisco Carlos Pereira - Araçatuba/SP
Gabriele Nunes Moraes - Uberaba/MG
Haydée Schlichting Hostin Lima - Santa Maria/RS
João Carlos de Oliveira - Teixeira de Freitas/BA
Jonatan Gracioli do Amarante - Cianorte/PR
José Guaicurus Mendes dos Santos - Guapimirim/RJ
Leila Maria Rodrigues Daibs Cabral - Mogi das Cruzes/SP
Luciana Slongo - Herval d’Oeste/SC
Luiz Carlos da Silva - Campo Mourão/PR
Luzia Stocco - Piracicaba/SP
Manoel Vinícius da Mata Souza - Ourinhos/SP
Márcia Cristina Lio Magalhães - Fortaleza/CE
Maria Anabel Siqueira Sampaio - São Paulo/SP
Mario Donizete Massari - Sertãozinho/SP
Mariza Baur - São Paulo/SP
Marlene Edir Severino - Itajaí/SC
Marlene Rozina Feltrin - Farroupilha/RS
Matheus Jacob Barreto - Cuiabá/MT
Nielson Torres Costa - Taguatinga/DF
Paulo da Mata-Machado Jr. - Brasília/ DF
Priscila Costa Lopes - Florianópolis/SC
Raimundo de Moraes - Recife/PE
Rosane Catarina de Castro - Belo Horizonte/MG
Roselaine Dias da Cruz - São Paulo/SP
Sergio Luiz Moreira - Rio de Janeiro/RJ
Tatiana Oliveira Druck - Porto Alegre/RS
Terezinha Bertazzi Costa - Campinas/SP
Varidiana Ribeiro Mercatelli - São Paulo/SP
Vilmar Ferreira Rangel - C. dos Goytacazes/RJ
Walter Luiz Jardim Rodrigues - Belém/PA
William Lima Glins - Rio de Janeiro/RJ
Zanny Adairalba Dantas de Góes - Boa Vista/RR

Sobre a Canon
Com marca registrada em mais de 140 países e faturamento na ordem dos US$ 34 bilhões, a CANON se destaca pelo desenvolvimento de tecnologias de gerenciamento de documentos e de imagem, e pela fabricação de uma ampla variedade de produtos que vão desde câmeras, copiadoras e impressoras, até equipamentos ópticos para a indústria de semicondutores e lentes profissionais para broadcasting. A empresa é a segunda maior dos Estados Unidos em número de patentes e sustenta um investimento diário de 6 milhões em pesquisa e desenvolvimento. No Brasil desde 1974, a Canon conta com infra-estrutura própria com mais de 200 colaboradores e uma rede de revendas responsável pela distribuição de toda a linha de soluções corporativas. A empresa oferece ao mercado brasileiro um portfólio com mais de 50 produtos entre multifuncionais, copiadoras, fax e scanners. Hoje, mais de 67% do faturamento mundial da companhia provém dessas soluções.

Sobre a Fábrica de Livros
Nascida em janeiro de 2008, a Fábrica de Livros oferece ao mercado editorial soluções para captura, manuseio, impressão, acabamento, logística e comercialização de serviços gráficos. É uma empresa direcionada exclusivamente ao mundo do livro, voltada ao mercado editorial brasileiro e aos autores que queiram publicar seus livros de forma independente. Sob a premissa de ter foco no “foco do cliente”, a Fábrica de Livros tem sua atuação posicionada em produções de livros em pequenas tiragens e sob demanda. Para editoras, a Fábrica de Livros prepara, produz e comercializa em baixas tiragens ou um único livro se necessário, viabilizando a produção e a comercialização de livros do fundo de catálogo, on demand, sob o conceito da “cauda longa”. O objetivo da Fábrica de Livros é ser líder no segmento em que atua, com crescimento sustentável por meio do compartilhamento de esforços e resultados com parceiros de negócios, do constante desenvolvimento tecnológico e do capital humano.

Mais informações em: http://www.fabricadelivros.com.br.

(FONTE: http://www.canon.com.br/ )

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Vagante

[Trecho do Poema]

Ao cessar dos olhos,
a imaginação vaga,
a cronologia desamparada
não pisa no chão,
flutua em um lugar
[que não existe]...

02/12/2010
Às 11:19h
Uberlândia-MG

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Poema do Pranto

Por Eduardo Humbertto


[Trecho do Poema]

Posso chorar hoje?
Amanhã talvez não haverá mais tempo.
O pranto explode
em gestos agridoces,
a poesia se encontra aí
nas entrelinhas transparentes
tão cheias de sentido.

21/10/2010
Às 15:05h
À caminho de Brasília-DF

domingo, 17 de outubro de 2010

Foco... (DES) foco

Por Eduardo Humbertto

[Trecho do poema]...

A imagem é borrada
e o foco impreciso,
necessito realmente enxergar?
Acho que não, mas insistem...


14/10/2010
Às 11:42h
Uberlândia-MG