[Trecho do Poema]...
O início aciona o meu inconsciente,
o estado de prontidão e prazer se instaura.
A luz está baixa,
o frio e o copo de whisky caro bem ralo
são as minhas companhias hoje.
A letra começa,
fala de dois seres que poderiam ser qualquer um,
mas não são...
“You got a fast car
I want a ticket to anywhere
Maybe we make a deal
Maybe together we can get somewhere”
São palavras simples de um amor rebuscado,
A cada novo verso os sentidos se desvendam,
encaixando entre duas vidas
que um dia se encontraram
num clima Fast Car.
[...]
► Acompanhe uma versão atualizada do clássico de Tracy Chapman
Tracy Chapman - Fast Car (Boyce Avenue & Kina Grannis acoustic cover) on...
terça-feira, 31 de maio de 2011
segunda-feira, 23 de maio de 2011
8 ou 80 - Pitty
Todo mundo tem segredo
Que não conta nem pra si mesmo
Todo mundo tem receio
Do que vê diante do espelho
Eu só quero o começo
Me entedia lidar com o meio
Quero muito, tenho apego
Já não quero e só resta desprezo
Nem sempre ando entre os meus iguais
Nem sempre faço coisas legais
Me dou bem com os inocentes
Mas com os culpados me divirto mais
Todo mundo tem segredo
Que não conta nem pra si mesmo
Todo mundo tem receio
Do que vê diante do espelho
Todo mundo tem desejo
Que não divide nem com o travesseiro
Um remédio pra amargura
Ou as drogas que vêm com bula
Nem sempre ando entre os meus iguais
Nem sempre faço coisas legais
Me dou bem com os inocentes
Mas com os culpados me divirto mais
Não conheço o que existe entre o 8 e o 80
Nem sempre ando entre os meus iguais
Nem sempre faço coisas legais
Me dou bem com os inocentes
Mas com os culpados me divirto mais
Ah... eu me divirto mais
sábado, 21 de maio de 2011
sábado, 14 de maio de 2011
Noite clara

[Trecho do Poema]
A rotina dá uma trégua,
e me entrego ao ócio da observação.
O espelho me aponta traços que desconheço,
mas insisto em olhar pelos ângulos peculiares a mim
[e às experiências que trago na bagagem.]
A vida me atinge de maneira branda,
porém não menos severa,
saio do abismo e volto a cair outras vezes mais...
[incansável e sem lamúrias.]
08/05/2001
Às 02:12h
Uberlândia-MG
[Na mesa de um dos bares da vida]
sábado, 30 de abril de 2011
Princípios do Reiki

HOJE EU ABANDONO A RAIVA.
HOJE EU ABANDONO AS MINHAS PREOCUPAÇÕES.
HOJE EU CONTO COM TODAS AS MINHAS BENÇÃOS.
HOJE EU FAÇO O MEU TRABALHO HONESTAMENTE.
HOJE EU SOU GENTIL COM TODAS AS CRIATURAS VIVAS.
Há exatos oito anos conheci o que faria toda a diferença na minha vida em todos os sentidos da existência humana, seja comigo mesmo ou para com os outros. O Reiki, é uma palavra japonesa que significa “Energia Vital Universal”, também é considerada uma terapia complementar, um método de cura com a imposição das mãos. Não é uma religião e nem uma crença. Ele abre novos caminhos para experiência espiritual e o aprendizado. Sou iniciado no 3ºNível de Reiki Integrado. Procure mais a respeito.
domingo, 24 de abril de 2011
Ivone Mamede Martins - um bairro, uma vida
HUMBERTTO, Eduardo. Ivone Mamede Martins - um bairro, uma vida. Jornal Fundinho Cultural. pg 08. Abril/2011, Ano VIII. Uberlândia-MG.
Quem se interessa pelo bairro Fundinho - seja como história concreta da cidade ou um ambiente acolhedor para se estar - tem a consciência da importância da memória oriunda das pessoas que construíram o espaço físico e também afetivo que hoje o bairro representa para seus moradores e admiradores.
Há 85 anos nascia na rua 13 de maio (atual Av. Princesa Isabel), uma das moradoras mais antigas e fiéis do bairro, D. Ivone Mamede Martins. Filha de Maria Rosa Conceição e José Pedro Mamede, seu pai era sapateiro e trabalhava no boteco do Chico Mamede (seu irmão), ao lado da antiga ‘Farmácia do Álvaro’ (atual esquina da rua XV de novembro com rua Felisberto Carrejo).
As memórias mais remotas que D. Ivone sempre se recorda são de quando ainda jovem passeava com a mãe para olhar as vitrines do bairro, que naquela época já davam indícios do futuro de comércio borbulhante, e também de freqüentar os cinemas, que era o grande divertimento e distração da época.
D. Ivone se casou ainda bem cedo com 21 anos de idade com João Martins da Silva (in memoriam), filho do senhor Messias e de D. Maria Tôca, desta união nasceram dois filhos, e mais tarde oito netos e doze bisnetos. Seu marido era funcionário do DER-MG, e faleceu em decorrência de uma doença neurológica, ela teve bastante apoio da família durante este período difícil.
Quanto à sua residência de maior permanência durante a vida, foi na rua Vigário Dantas em frente ao Colégio Federal, em um conjunto de casas tombado pelo patrimônio histórico municipal, trata-se de uma construção muito antiga, e que nos diz bastante dos primórdios da arquitetura em nossa cidade e região. Atualmente ela reside na Av. Princesa Isabel na divisa com o bairro Tabajaras.
Em depoimento, D. Ivone afirma: “Gosto muito daqui, adoro o bairro Fundinho, nunca tive vontade de morar em outro lugar”. E quando indagada sobre o Fundinho do passado, ela relembra: “Antigamente era bom, a gente podia sentar na porta de casa, conversar mais com os vizinhos... hoje é tudo fechado, quase não nos vemos”.
É de extrema importância para o registro da história que pessoas com tamanha ligação com o objeto de nosso apreço como D. Ivone sejam ouvidas e mais ainda, sejam instigadas a contribuírem para a perpetuação de uma memória individual quando ela se torna coletiva, pois será de onde as futuras gerações vão subsidiar compreensões e reflexões sobre o nosso tempo, espaço e conquistas reais.
Eduardo Humbertto
Sobrinho-neto de D. Ivone
Quem se interessa pelo bairro Fundinho - seja como história concreta da cidade ou um ambiente acolhedor para se estar - tem a consciência da importância da memória oriunda das pessoas que construíram o espaço físico e também afetivo que hoje o bairro representa para seus moradores e admiradores.
Há 85 anos nascia na rua 13 de maio (atual Av. Princesa Isabel), uma das moradoras mais antigas e fiéis do bairro, D. Ivone Mamede Martins. Filha de Maria Rosa Conceição e José Pedro Mamede, seu pai era sapateiro e trabalhava no boteco do Chico Mamede (seu irmão), ao lado da antiga ‘Farmácia do Álvaro’ (atual esquina da rua XV de novembro com rua Felisberto Carrejo).
As memórias mais remotas que D. Ivone sempre se recorda são de quando ainda jovem passeava com a mãe para olhar as vitrines do bairro, que naquela época já davam indícios do futuro de comércio borbulhante, e também de freqüentar os cinemas, que era o grande divertimento e distração da época.
D. Ivone se casou ainda bem cedo com 21 anos de idade com João Martins da Silva (in memoriam), filho do senhor Messias e de D. Maria Tôca, desta união nasceram dois filhos, e mais tarde oito netos e doze bisnetos. Seu marido era funcionário do DER-MG, e faleceu em decorrência de uma doença neurológica, ela teve bastante apoio da família durante este período difícil.
Quanto à sua residência de maior permanência durante a vida, foi na rua Vigário Dantas em frente ao Colégio Federal, em um conjunto de casas tombado pelo patrimônio histórico municipal, trata-se de uma construção muito antiga, e que nos diz bastante dos primórdios da arquitetura em nossa cidade e região. Atualmente ela reside na Av. Princesa Isabel na divisa com o bairro Tabajaras.
Em depoimento, D. Ivone afirma: “Gosto muito daqui, adoro o bairro Fundinho, nunca tive vontade de morar em outro lugar”. E quando indagada sobre o Fundinho do passado, ela relembra: “Antigamente era bom, a gente podia sentar na porta de casa, conversar mais com os vizinhos... hoje é tudo fechado, quase não nos vemos”.
É de extrema importância para o registro da história que pessoas com tamanha ligação com o objeto de nosso apreço como D. Ivone sejam ouvidas e mais ainda, sejam instigadas a contribuírem para a perpetuação de uma memória individual quando ela se torna coletiva, pois será de onde as futuras gerações vão subsidiar compreensões e reflexões sobre o nosso tempo, espaço e conquistas reais.
Eduardo Humbertto
Sobrinho-neto de D. Ivone
terça-feira, 5 de abril de 2011
[Sobre Experiências Paulistanas]
Tudo começou ainda nas férias letivas deste início de ano, ter novamente um contato com a Armazém Cia de Teatro já era uma necessidade deste o arrebatador "Inveja Dos Anjos", a partir da minha idéia inicial, movi tudo para que se tornasse realidade.
Mobilizei pessoas a fim de compartilhar comigo tudo que um grupo de teatro tem de melhor a oferecer: Teatro em estado puríssimo.
Foram dias e mais dias de produção, contatos, reservas, pagamentos, confirmações, envios, recebimentos, enfim... tudo que uma produção vitoriosa tem que passar para merecer ser chamada de vitoriosa.
Cheguei a São Paulo no sábado (02/04) manhã de certo calor e muita ansiedade para com o que estava por vir, mas sem rodeios, foi uma das melhores e a mais tranquila viagem que já fiz até hoje. Para otimizar o meu tempo, fiz minha programação toda no centro mesmo...
Primeiramente uma passada na Galeria do Rock que estava lotada, mas com a variedade de sempre que enlouquece qualquer um... em seguida uma visita à Catedral da Sé... foi o único momento do dia que eu parei, literalmente, respirei e agradeci a oportunidade de mais uma vez estar ali, e por tudo ter se encaminhado da melhor maneira possível.
Logo mais à noite, pude conferir o espetáculo "Antes da Coisa Toda Começar", novo trabalho da Armazém Cia. de Teatro, estar com eles foi o que me motivou a organizar e articular a ida a São Paulo. E mais ainda foi sentir que todo o esforço valeu a pena.
Uma das grandes surpresas da noite, foi o presente que recebi do diretor Paulo de Morais, um DVD do espetáculo "Inveja Dos Anjos", na hora fiquei sem palavras, sem ação, porém, muito emocionado com a atenção e carinho do grupo comigo. É uma coisa que nunca mais sai da minha memória, seja enquanto artista ou enquanto pessoa. Quero muito agradecê-los, deixando claro mais uma vez a minha admiração por todos eles, e que continuem nos presenteando a cada trabalho.
Por enquanto é isso... se caso lembrar de algo mais, venho aqui e acrescento.
Abraços.
quarta-feira, 30 de março de 2011
[Sobre muitas coisas...]

Após passar por um surto criativo intenso e expurgador escrevendo muitos poemas em um curto espaço de tempo, agora estou na calmaria, e a prosa está tentando de todos os jeitos tomar conta de uma mente que muito tem a falar dos últimos tempos.
Confesso que nessa intenção vou me aperfeiçoando nas metáforas, afinal, o que seria de mim sem elas? Eu acho que simplesmente não escreveria se elas não existissem. Explicando melhor, acredito que o que eu escrevo não deve ser definitivo, pronto, acabado e sim, aberto para a compreensão que o outro (leitor) poderá tirar para si dentro do seu próprio contexto de vida e de experiência que esteja passando. Aí está verdadeiramente o lugar do escritor/poeta, transmitir algo abrindo as possibilidades de compreensão.
Ando bastante reflexivo nos últimos tempos, tudo que me acontece anda sendo um pedido de análise, olhar com cuidado, uma pausa com alucinações cheias de verdade. Volta e meia consulto o dicionário para entender o real significado de palavras chaves, a fim de facilitar esse processo de compreensão. A vida vai se mostrando como ela é ou deve ser na sua essência, as pessoas vão passando pela pineira da seleção natural, fato este que me deixa muito assustado, muitas não atravessam a pineira para ficarem na sua vida porque elas não querem. Chega até a ser chocante em alguns casos... mas tudo bem, a vida é assim mesmo... e como bem diz aquela música de Milton Nascimento "tem gente que chega pra ficar, tem gente que vai pra nunca mais", e assim vou seguindo tentando olhar pra frente mas não deixando totalmente de olhar o que passou.
Essa falta de clareza não me permite escrever em verso, sinto então a necessidade da prosa para tentar ser mais preciso...
Pode ser este o post mais sem sentido do meu blog até hoje, considerando que os demais foram bastante pontuais. Mas estou sentindo a necessidade de me comunicar, e escrevendo eu consigo atingir este estado.
Tantas coisas boas acontecendo na minha vida, um milhão de oportunidades de ouro ao mesmo tempo, temo até não conseguir suprir todas, mas já passei por tantas coisas e já enfrentei outras tantas na vida com apenas 21 anos de idade, que a minha força vai se renovando a cada desafio. Se 2010 foi um ano das maiores oportunidades que me surgiram, 2011 em seus 3 meses já me deixa sem fôlego.
O teatro mais uma vez está sendo meu apoio mais sincero, apesar de ser quem mais está me exigindo, por outro lado, também é o que mais me consola nas minhas lamuriações. Montar "As Bruxas de Salém" não poderia ter vindo em momento melhor, no que diz respeito à significação que isso sugere a mim particularmente... caçar as bruxas em si mesmo e nos outros será uma tarefa surpreendente em todos os sentidos.
"Não sei onde vou chegar, só sei que estou no caminho."
Até qualquer hora.
OBS: Este post será alterado várias vezes, na medida que eu for me lembrando dos assuntos que quero tratar, venho aqui e complemento.
terça-feira, 22 de março de 2011
Eu temia...
Hoje recebi essa mensagem, e gostaria muito de compartilhar com os meus amigos/leitores, vale a pena conferir e acima de tudo refletir.
EU TEMIA...
Eu tinha medo de ficar só até que aprendi a gostar de mim mesmo.
Temia fracassar...
Mas percebi que só fracasso se desistir.
Eu tinha medo do que as pessoas pudessem pensar de mim...
Até que percebi que o que conta realmente é o que penso de mim mesmo, com consciência, lucidez e humildade.
Eu temia ser rejeitado...
Até que percebi ter fé em mim mesmo, que sou meu maior companheiro.
Eu tinha medo da dor...
Até que percebi que o sofrimento só me ajuda a crescer e afasta de mim a arrogância.
Eu temia a verdade...
Até descobrir que a verdade é um espelho quebrado em mil pedacinhos.
Ninguém é dono da verdade,
Pois não tem mais do que um caco dela.
Eu temia as perdas e a morte...
Até que aprendi que as perdas não representam o fim, mas o início de um novo ciclo.
Temia o ódio...
Até que aprendi que o ódio é um veneno que a pessoa toma pensando atingir o outro.
Eu temia o ridículo...
Até que aprendi a rir de mim mesmo.
Temia ficar velho...
Até que compreendi que posso ganhar sabedoria a cada dia.
Temia ser ferido nos meus sentimentos,
Até que aprendi que ninguém consegue me ferir sem minha permissão.
Temia a escuridão...
Até que entendi a importância da luz de uma pequena estrela.
Temia mudanças...
Até que percebi as mudanças pelas quais tem que passar uma bela borboleta antes de poder voar.
Eu ainda tinha medo de ficar só,
Até que aprendi que a única pessoa que estará comigo em todos os momentos da minha vida sou eu mesmo!
Vamos enfrentar cada obstáculo à medida que apareça em nossas vidas com coragem e confiança.
E não esqueça:
Nunca desista de você!!!
EU TEMIA...

Eu tinha medo de ficar só até que aprendi a gostar de mim mesmo.
Temia fracassar...
Mas percebi que só fracasso se desistir.
Eu tinha medo do que as pessoas pudessem pensar de mim...
Até que percebi que o que conta realmente é o que penso de mim mesmo, com consciência, lucidez e humildade.
Eu temia ser rejeitado...
Até que percebi ter fé em mim mesmo, que sou meu maior companheiro.
Eu tinha medo da dor...
Até que percebi que o sofrimento só me ajuda a crescer e afasta de mim a arrogância.
Eu temia a verdade...
Até descobrir que a verdade é um espelho quebrado em mil pedacinhos.
Ninguém é dono da verdade,
Pois não tem mais do que um caco dela.
Eu temia as perdas e a morte...
Até que aprendi que as perdas não representam o fim, mas o início de um novo ciclo.
Temia o ódio...
Até que aprendi que o ódio é um veneno que a pessoa toma pensando atingir o outro.
Eu temia o ridículo...
Até que aprendi a rir de mim mesmo.
Temia ficar velho...
Até que compreendi que posso ganhar sabedoria a cada dia.
Temia ser ferido nos meus sentimentos,
Até que aprendi que ninguém consegue me ferir sem minha permissão.
Temia a escuridão...
Até que entendi a importância da luz de uma pequena estrela.
Temia mudanças...
Até que percebi as mudanças pelas quais tem que passar uma bela borboleta antes de poder voar.
Eu ainda tinha medo de ficar só,
Até que aprendi que a única pessoa que estará comigo em todos os momentos da minha vida sou eu mesmo!
Vamos enfrentar cada obstáculo à medida que apareça em nossas vidas com coragem e confiança.
E não esqueça:
Nunca desista de você!!!
sábado, 19 de março de 2011
Otelo, O Grande
FONTE: Jornal CORREIO de Uberlândia - 19/03/2011
http://www.correiodeuberlandia.com.br/pontodevista
Na Grécia Antiga acreditava-se que a memória era sobrenatural, um dom a ser exercitado, é uma referência clara à deusa ‘Mnemosyne’, mãe das Musas, que protegem as artes e a história, já para os romanos a memória era considerada indispensável à arte. Sendo assim, acredito se tratar de uma faculdade humana individual e coletiva que deve ser continuamente alimentada, consultada e inegavelmente preservada.
Trazendo para o nosso contexto espacial e peculiar, quando reflito sobre o termo memória, correlaciono a um estímulo automático, particularmente me prendo às biografias — que vou chamar aqui de sucessões de acontecimentos simultâneos, ou não, que resultam em algo maior que se desprende do tempo e lugar tornando-se um bem universal — partindo dessa reflexão, o nome que mais vibra é o de Sebastião Bernardes de Souza Prata, o Bastiãozinho da antiga São Pedro de Uberabinha.
Para escrever, quero me descolar drasticamente dos últimos acontecimentos, onde o nome dele é lembrado apenas como um espaço cultural interditado, pois temo me retirar paulatinamente do meu foco principal, que é ressaltar a memória de um dos maiores artistas que o país já teve e que é filho desta terra, o Grande Otelo, mas não o teatro, e sim o artista, o mesmo desinibido que cantava e dançava maxixe para os hóspedes do extinto Hotel Goyano (atual Edifício Rubens De Freitas), a figura exótica que estudava na Escola Bueno Brandão, que tinha medo de passar na frente do cemitério, e cujo talento ganhou os palcos do Brasil e do mundo.
Apesar da vida dura de grandes dificuldades e das tragédias pessoais, o trabalho de Grande Otelo contribuiu decisivamente para a criação de uma linguagem nacional de teatro musical, que ficou expressa por meio do brasileiríssimo teatro de revista. Fato este que ficou marcado na história do teatro brasileiro e foi devidamente tratado na última biografia lançada: “Grande Otelo, uma biografia”, de Sérgio Cabral.
Com uma carreira rica no teatro, no cinema e na televisão contemplada não somente como ator, mas também como cantor, compositor e poeta. Grande Otelo era muito admirado no meio artístico. Bibi Ferreira, uma das atrizes brasileiras mais importantes do século 20 e ainda em atividade, disse em depoimento: “Eu poderia falar páginas e páginas sobre Grande Otelo como amigo, colega ou ator. Resumo tudo no que outros já disseram, Otelo é gênio. Simplesmente isso”.
Um artista negro, numa época em que o preconceito não era velado, e sim bastante escancarado, enfrentou grandes percalços para fazer história e se tornar o uberlandense mais ilustre, contudo, acredito que ele não queria ter monumentos em sua homenagem, e sim que as pessoas e a memória da cidade se lembrassem dele e se apropriassem, como verdadeiramente era, um grande artista, o nosso Grande Otelo.
Buscar o contato com a história de Sebastião Bernardes de Souza Prata não é apenas idolatrar um conterrâneo é, acima de tudo, reconhecer nele a nossa força e capacidade de atingir o que a primeira vista nos parece impossível, é também consolidar um exemplo de vida e firmar uma referência da nossa gente perante o mundo. Não è a toa que o nome de Grande Otelo está sendo entoado neste momento em que a população pede cultura e mais espaços para a arte teatral.
Eduardo Humbertto
Estudante universitário
eduardohumbertto@hotmail.com
http://www.correiodeuberlandia.com.br/pontodevista
Na Grécia Antiga acreditava-se que a memória era sobrenatural, um dom a ser exercitado, é uma referência clara à deusa ‘Mnemosyne’, mãe das Musas, que protegem as artes e a história, já para os romanos a memória era considerada indispensável à arte. Sendo assim, acredito se tratar de uma faculdade humana individual e coletiva que deve ser continuamente alimentada, consultada e inegavelmente preservada.
Trazendo para o nosso contexto espacial e peculiar, quando reflito sobre o termo memória, correlaciono a um estímulo automático, particularmente me prendo às biografias — que vou chamar aqui de sucessões de acontecimentos simultâneos, ou não, que resultam em algo maior que se desprende do tempo e lugar tornando-se um bem universal — partindo dessa reflexão, o nome que mais vibra é o de Sebastião Bernardes de Souza Prata, o Bastiãozinho da antiga São Pedro de Uberabinha.
Para escrever, quero me descolar drasticamente dos últimos acontecimentos, onde o nome dele é lembrado apenas como um espaço cultural interditado, pois temo me retirar paulatinamente do meu foco principal, que é ressaltar a memória de um dos maiores artistas que o país já teve e que é filho desta terra, o Grande Otelo, mas não o teatro, e sim o artista, o mesmo desinibido que cantava e dançava maxixe para os hóspedes do extinto Hotel Goyano (atual Edifício Rubens De Freitas), a figura exótica que estudava na Escola Bueno Brandão, que tinha medo de passar na frente do cemitério, e cujo talento ganhou os palcos do Brasil e do mundo.
Apesar da vida dura de grandes dificuldades e das tragédias pessoais, o trabalho de Grande Otelo contribuiu decisivamente para a criação de uma linguagem nacional de teatro musical, que ficou expressa por meio do brasileiríssimo teatro de revista. Fato este que ficou marcado na história do teatro brasileiro e foi devidamente tratado na última biografia lançada: “Grande Otelo, uma biografia”, de Sérgio Cabral.
Com uma carreira rica no teatro, no cinema e na televisão contemplada não somente como ator, mas também como cantor, compositor e poeta. Grande Otelo era muito admirado no meio artístico. Bibi Ferreira, uma das atrizes brasileiras mais importantes do século 20 e ainda em atividade, disse em depoimento: “Eu poderia falar páginas e páginas sobre Grande Otelo como amigo, colega ou ator. Resumo tudo no que outros já disseram, Otelo é gênio. Simplesmente isso”.
Um artista negro, numa época em que o preconceito não era velado, e sim bastante escancarado, enfrentou grandes percalços para fazer história e se tornar o uberlandense mais ilustre, contudo, acredito que ele não queria ter monumentos em sua homenagem, e sim que as pessoas e a memória da cidade se lembrassem dele e se apropriassem, como verdadeiramente era, um grande artista, o nosso Grande Otelo.
Buscar o contato com a história de Sebastião Bernardes de Souza Prata não é apenas idolatrar um conterrâneo é, acima de tudo, reconhecer nele a nossa força e capacidade de atingir o que a primeira vista nos parece impossível, é também consolidar um exemplo de vida e firmar uma referência da nossa gente perante o mundo. Não è a toa que o nome de Grande Otelo está sendo entoado neste momento em que a população pede cultura e mais espaços para a arte teatral.
Eduardo Humbertto
Estudante universitário
eduardohumbertto@hotmail.com
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Retrato do Desconhecido
Por Augusto Frederico Schmidt

Ele tinha uns ombros estreitos, e a sua voz era tímida,
Voz de um homem perdido no mundo,
Voz de quem foi abandonado pelas esperanças,
Voz que não manda nunca,
Voz que não pergunta,
Voz que não chama,
Voz de obediência e de resposta,
Voz de queixa, nascida das amarguras íntimas,
Dos sonhos desfeitos e das pobrezas escondidas.
Há vozes que aclaram o ser,
Macias ou ásperas, vozes de paixão e de domínio,
Vozes de sonho, de maldição e de doçura.
Os ombros eram estreitos,
Ombros humildes que não conhecem as horas de fogo do
amor inconfundível,
Ombros de quem não sabe caminhar,
Ombros de quem não desdenha nem luta,
Ombros de pobre, de quem se esconde,
Ombros tristes como os cabelos de uma criança morta,
Ombros sem sol, sem força, ombros tímidos,
De quem teme a estrada e o destino
De quem não triunfará na luta inútil do mundo:
Ombros nascidos para o descanso das tábuas de um caixão,
Ombros de quem é sempre um Desconhecido,
De quem não tem casa, nem Natal, nem festas;
Ombros de reza de condenado,
E de quem ama, na tristeza, a sombra das madrugadas;
Ombros cuja contemplação provoca as últimas lágrimas.
Os seus pés e as suas mãos acompanhavam os ombros
num mesmo ritmo.
Mãos sem luz, mãos que levam à boca o alimento
sem substância,
Mãos acostumadas aos trabalhos indolentes,
Mãos sem alegria e sem o martírio do trabalho.
Mãos que nunca afagaram uma criança,
Mãos que nunca semearam,
Mãos que não colheram uma flor.
Os pés, iguais às mãos
— Pés sem energia e sem direção,
Pés de indeciso, pés que procuram as sombras e o esquecimento,
Pés que não brincaram, pés que não correram.
No entanto os olhos eram olhos diferentes.
Não direi, não terei a delicadeza precisa na expressão
para traduzir o seu olhar.
Não saberei dizer da doçura e da infância daqueles olhos,
Em que havia hinos matinais e uma inocência, uma tranqüilidade,
um repouso de mãos maternas.
Não poderei descrever aquele olhar,
Em que a Poesia estava dormindo,
Em que a inocência se confundia com a santidade.
Não poderei dizer a música daquele olhar que me surpreendeu um dia,
Que se abriram diante de mim como um abrigo,
E que me trouxe de repente os dias mortos,
Em que me descobri como outrora,
Livre e limpo, como no princípio do mundo,
Envolvido na suavidade dos primeiros balanços,
Sentindo o perfume e o canto das horas primeiras!
Não direi do seu olhar!
Não direi do seu olhar!
Não direi da sua expressão de repouso!
Ainda não sei se era dele esse olhar,
Ou se nasceu de mim mesmo, num rápido instante de paz
e de libertação!

Ele tinha uns ombros estreitos, e a sua voz era tímida,
Voz de um homem perdido no mundo,
Voz de quem foi abandonado pelas esperanças,
Voz que não manda nunca,
Voz que não pergunta,
Voz que não chama,
Voz de obediência e de resposta,
Voz de queixa, nascida das amarguras íntimas,
Dos sonhos desfeitos e das pobrezas escondidas.
Há vozes que aclaram o ser,
Macias ou ásperas, vozes de paixão e de domínio,
Vozes de sonho, de maldição e de doçura.
Os ombros eram estreitos,
Ombros humildes que não conhecem as horas de fogo do
amor inconfundível,
Ombros de quem não sabe caminhar,
Ombros de quem não desdenha nem luta,
Ombros de pobre, de quem se esconde,
Ombros tristes como os cabelos de uma criança morta,
Ombros sem sol, sem força, ombros tímidos,
De quem teme a estrada e o destino
De quem não triunfará na luta inútil do mundo:
Ombros nascidos para o descanso das tábuas de um caixão,
Ombros de quem é sempre um Desconhecido,
De quem não tem casa, nem Natal, nem festas;
Ombros de reza de condenado,
E de quem ama, na tristeza, a sombra das madrugadas;
Ombros cuja contemplação provoca as últimas lágrimas.
Os seus pés e as suas mãos acompanhavam os ombros
num mesmo ritmo.
Mãos sem luz, mãos que levam à boca o alimento
sem substância,
Mãos acostumadas aos trabalhos indolentes,
Mãos sem alegria e sem o martírio do trabalho.
Mãos que nunca afagaram uma criança,
Mãos que nunca semearam,
Mãos que não colheram uma flor.
Os pés, iguais às mãos
— Pés sem energia e sem direção,
Pés de indeciso, pés que procuram as sombras e o esquecimento,
Pés que não brincaram, pés que não correram.
No entanto os olhos eram olhos diferentes.
Não direi, não terei a delicadeza precisa na expressão
para traduzir o seu olhar.
Não saberei dizer da doçura e da infância daqueles olhos,
Em que havia hinos matinais e uma inocência, uma tranqüilidade,
um repouso de mãos maternas.
Não poderei descrever aquele olhar,
Em que a Poesia estava dormindo,
Em que a inocência se confundia com a santidade.
Não poderei dizer a música daquele olhar que me surpreendeu um dia,
Que se abriram diante de mim como um abrigo,
E que me trouxe de repente os dias mortos,
Em que me descobri como outrora,
Livre e limpo, como no princípio do mundo,
Envolvido na suavidade dos primeiros balanços,
Sentindo o perfume e o canto das horas primeiras!
Não direi do seu olhar!
Não direi do seu olhar!
Não direi da sua expressão de repouso!
Ainda não sei se era dele esse olhar,
Ou se nasceu de mim mesmo, num rápido instante de paz
e de libertação!
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Esquadros - Adriana Calcanhotto ♫
Composição: Adriana Calcanhotto

Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Cores!
Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção
No que meu irmão ouve
E como uma segunda pele
Um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Ai, Eu quero chegar antes
Prá sinalizar
O estar de cada coisa
Filtrar seus graus...
Eu ando pelo mundo
Divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome
Nos meninos que têm fome...
Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...
Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm
Para quê?
As crianças correm
Para onde?
Transito entre dois lados
De um lado
Eu gosto de opostos
Exponho o meu modo
Me mostro
Eu canto para quem?

Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Cores!
Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção
No que meu irmão ouve
E como uma segunda pele
Um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Ai, Eu quero chegar antes
Prá sinalizar
O estar de cada coisa
Filtrar seus graus...
Eu ando pelo mundo
Divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome
Nos meninos que têm fome...
Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...
Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm
Para quê?
As crianças correm
Para onde?
Transito entre dois lados
De um lado
Eu gosto de opostos
Exponho o meu modo
Me mostro
Eu canto para quem?
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Pensamento
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Balanço
[Trecho do Poema]
Escrever agora é um perigo,
eu bem sei...
As palavras não tem o sentido,
a intensidade e a clareza de que necessito tanto.
A inspiração tenta,
eu lanço o olhar em volta,
porém, o meu ‘ilhamento’ não me deixa
enxergar além do próprio eixo.
Cadê as perspectivas? Os sonhos? A simplicidade da vida?
05/02/2011
Às 16h05min
Uberlândia-MG
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Do Ofício de Viver
Por Shyrley Pimenta
O insuportável não é só a dor, mas a falta de sentido da dor, mais ainda, a dor da falta de sentido. (Oswaldo Giacoia Jr.)
Os escritos do filósofo alemão Nietzsche propõem-nos uma luta ferrenha contra tudo e contra todos os que insistem em rebaixar o homem, torná-lo escravo do mundo e dos poderes instituídos.
O homem do nosso tempo precisa mergulhar fundo nos textos do referido filósofo, se quiser readquirir a liberdade perdida, o sentido superior da existência, se quiser quebrar os grilhões que o mantêm atado a uma vida de prazeres desordenados, entorpecentes e alienantes. A proposta do filósofo-poeta é que o homem aprenda a se confrontar, superando sua covardia, sua escravidão consentida, sua aptidão demasiado fácil para a submissão, a domesticação.
Nosso tempo exige homens e mulheres “apaixonados” pela vida, capazes de manter a cabeça erguida, apesar das dores do mundo, buscando iluminar (ou decifrar) os enigmas, as engrenagens, as armadilhas sutis da existência, sobrecarregada de vaidades, intrigas e preconceitos. Urge que nos coloquemos a inevitável questão: o que em nós se curva, tão facilmente, à vontade arbitrária de outrem?
Frente à liberdade ameaçada e aos sonhos frustrados, o instinto de sobrevivência nos impele a buscar alternativas. Para opor-se às tendências culturais dominantes, entre as quais se destaca o atual isolamento social humano, a arte em geral se coloca como uma poderosa força de resistência, um ponto de partida para o novo, para uma transformação radical das estruturas sociais opressivas, desumanas, cruéis. (Que o prezado leitor me perdoe por retomar o mesmo tema. A boca fala do que está cheio o coração). De fato, a arte pode colocar-nos na presença do indizível, preenchendo espaços vazios, dando alento e força para as necessárias transformações. Você, leitor amigo, que conhece a música de um Wagner, de um Mozart, a tragédia grega antiga, os grandes nomes da literatura universal, sabe bem de que falo.
A arte leva-nos a confrontar, com trágica sinceridade, nossos fracassos, nossa intolerância, nossas fraquezas, enfim, a matéria prima (o barro) de que somos feitos. A arte pode confrontar-nos, de forma funda e integral, com nossa ambiguidade, aparentemente sem saída, com nosso desinteresse pela leitura atenta dos caprichos a que a vida nos submete.
A arte nos propõe um desfiar cuidadoso da nossa intimidade e, ao mesmo tempo, um estilo clínico de observar e auscultar o mundo, sem tempo para futilidades, com a determinação e a persistência de condenados à morte (pois que o somos, de fato). Enfim, o convívio com a arte pode ser um modo melhor de lidar com os desacertos, com a crueldade, com a atmosfera envenenada do mundo.
Tropeçando nas palavras, nos acontecimentos, vamos abrindo brechas e clareiras, e com os fiapos da nossa vida banal, quem sabe, possamos reescrever uma narrativa nova, transformando nossa paisagem de desamparados, produzindo um milagre (profano), alimentado pelo desejo forte e profundo de também sermos abraçados pela tal felicidade. Pois, como já disse o cronista Luis Fernando Veríssimo, o ofício de viver requer prática, habilidade e um talento incomum. A vida, minha gente, não é pra qualquer um!
FONTE: Coluna 'Ponto de Vista', do Jornal CORREIO de Uberlândia. 02/02/2011.
http://www.correiodeuberlandia.com.br/blog/REDACAO/37/ponto_de_vista.html
O insuportável não é só a dor, mas a falta de sentido da dor, mais ainda, a dor da falta de sentido. (Oswaldo Giacoia Jr.)
Os escritos do filósofo alemão Nietzsche propõem-nos uma luta ferrenha contra tudo e contra todos os que insistem em rebaixar o homem, torná-lo escravo do mundo e dos poderes instituídos.
O homem do nosso tempo precisa mergulhar fundo nos textos do referido filósofo, se quiser readquirir a liberdade perdida, o sentido superior da existência, se quiser quebrar os grilhões que o mantêm atado a uma vida de prazeres desordenados, entorpecentes e alienantes. A proposta do filósofo-poeta é que o homem aprenda a se confrontar, superando sua covardia, sua escravidão consentida, sua aptidão demasiado fácil para a submissão, a domesticação.Nosso tempo exige homens e mulheres “apaixonados” pela vida, capazes de manter a cabeça erguida, apesar das dores do mundo, buscando iluminar (ou decifrar) os enigmas, as engrenagens, as armadilhas sutis da existência, sobrecarregada de vaidades, intrigas e preconceitos. Urge que nos coloquemos a inevitável questão: o que em nós se curva, tão facilmente, à vontade arbitrária de outrem?
Frente à liberdade ameaçada e aos sonhos frustrados, o instinto de sobrevivência nos impele a buscar alternativas. Para opor-se às tendências culturais dominantes, entre as quais se destaca o atual isolamento social humano, a arte em geral se coloca como uma poderosa força de resistência, um ponto de partida para o novo, para uma transformação radical das estruturas sociais opressivas, desumanas, cruéis. (Que o prezado leitor me perdoe por retomar o mesmo tema. A boca fala do que está cheio o coração). De fato, a arte pode colocar-nos na presença do indizível, preenchendo espaços vazios, dando alento e força para as necessárias transformações. Você, leitor amigo, que conhece a música de um Wagner, de um Mozart, a tragédia grega antiga, os grandes nomes da literatura universal, sabe bem de que falo.
A arte leva-nos a confrontar, com trágica sinceridade, nossos fracassos, nossa intolerância, nossas fraquezas, enfim, a matéria prima (o barro) de que somos feitos. A arte pode confrontar-nos, de forma funda e integral, com nossa ambiguidade, aparentemente sem saída, com nosso desinteresse pela leitura atenta dos caprichos a que a vida nos submete.
A arte nos propõe um desfiar cuidadoso da nossa intimidade e, ao mesmo tempo, um estilo clínico de observar e auscultar o mundo, sem tempo para futilidades, com a determinação e a persistência de condenados à morte (pois que o somos, de fato). Enfim, o convívio com a arte pode ser um modo melhor de lidar com os desacertos, com a crueldade, com a atmosfera envenenada do mundo.
Tropeçando nas palavras, nos acontecimentos, vamos abrindo brechas e clareiras, e com os fiapos da nossa vida banal, quem sabe, possamos reescrever uma narrativa nova, transformando nossa paisagem de desamparados, produzindo um milagre (profano), alimentado pelo desejo forte e profundo de também sermos abraçados pela tal felicidade. Pois, como já disse o cronista Luis Fernando Veríssimo, o ofício de viver requer prática, habilidade e um talento incomum. A vida, minha gente, não é pra qualquer um!
FONTE: Coluna 'Ponto de Vista', do Jornal CORREIO de Uberlândia. 02/02/2011.
http://www.correiodeuberlandia.com.br/blog/REDACAO/37/ponto_de_vista.html
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
20 anos blue - Elis Regina ♫
Ontem de manhã quando acordei
Olhei a vida e me espantei
Eu tenho mais de 20 anos
E eu tenho mais de mil perguntas sem respostas
Estou ligado num futuro blue

Os meus pais nas minhas costas
As raizes na marquise
Eu tenho mais de vinte muros
O sangue jorra pelos furos pelas veias de um jornal
Eu não te quero
Eu te quero mal
Essa calma que inventei, bem sei
Custou as contas que contei
Eu tenho mais de 20 anos
E eu quero as cores e os colirios
Meus delirios
Estou ligado num futuro blue
Olhei a vida e me espantei
Eu tenho mais de 20 anos
E eu tenho mais de mil perguntas sem respostas
Estou ligado num futuro blue

Os meus pais nas minhas costas
As raizes na marquise
Eu tenho mais de vinte muros
O sangue jorra pelos furos pelas veias de um jornal
Eu não te quero
Eu te quero mal
Essa calma que inventei, bem sei
Custou as contas que contei
Eu tenho mais de 20 anos
E eu quero as cores e os colirios
Meus delirios
Estou ligado num futuro blue
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Vasto

[Trecho do Poema]
O ar comprimido
não me sustenta,
e o que vejo foge
da minha visão cotidiana,
a melodia ao fundo me
acalma,
alenta,
conforta,
tranqüiliza e
[me prende...]
Piso no desconhecido
e consigo ir mais longe...
não preciso alterar o passo,
no caminho surpreendente
retiro meus próprios obstáculos.
29/12/2010
Às 23:17h
domingo, 23 de janeiro de 2011
Encontro
Gentileza - Marisa Monte ♫
Apagaram tudoPintaram tudo de cinza
A palavra no muro
Ficou coberta de tinta
Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
Só ficou no muro
Tristeza e tinta fresca
Nós que passamos apressados
Pelas ruas da cidade
Merecemos ler as letras
E as palavras de Gentileza
Por isso eu pergunto
À você no mundo
Se é mais inteligente
O livro ou a sabedoria
O mundo é uma escola
A vida é o circo
Amor palavra que liberta
Já dizia o Profeta
http://www.youtube.com/watch?v=mpDHQVhyUrY&feature=player_embedded
sábado, 22 de janeiro de 2011
Salmo 23 (22)

Javé é o meu pastor.
Nada me falta.
Em verdes pastagens me faz repousar;
para fontes tranquilas me conduz,
e restaura as minhas forças.
Ele me guia por bons caminhos,
por causa do seu nome.
Embora eu caminhe por um vale tenebroso,
nenhum mal temerei, pois junto a mim estás;
teu bastão e teu cajado me deixam traqüilo.
Diante de mim preparas a mesa,
à frente dos meus opressores;
unges minha cabeça com óleo,
e minha taça transborda.
Sim, felicidade e amor me acompanham
todos os dias da minha vida.
Minha morada é a casa de Javé,
por dias sem fim.
Assinar:
Postagens (Atom)


