terça-feira, 21 de dezembro de 2010

2010, o tempo que fica... [um relato]


O que se pode esperar de um ano que termina em dez? Talvez a resposta mais urgente e impulsiva seja que ele será dez, porém nem as melhores expectativas previam o que foi o ano de 2010.

Receio cair apenas nos adjetivos e não conseguir transpassar o que foi este ano em minha vida, um tempo incrível em praticamente todos os sentidos, de oportunidades únicas e especiais, de lugares novos e que já fazem parte da minha história de vida.

2010 veio para eu colocasse o pé na estrada e conhecesse esse Brasil a fora, norte a sul, leste a oeste, alcançando a incrível marca de mais de 16.848 km rodados, entre viagens de trabalho e outras fugas para retomar o fôlego e continuar as atividades.

Em uma noite inesquecível na Esplanada dos Ministérios conheci as “Dionisíacas” de Zé Celso e o seu Teatro Oficina, para mim uma experiência única e marcante como artista em formação, estar em comunhão com o teatro amparado nas mitologias grega, xamânicas, indígenas e africanas juntamente com uma lenda viva do teatro brasileiro me mostrou que eu não estava ali por acaso.

O teatro me levou a lugares que jamais imaginei ter contato tão cedo, a começar por Blumenau, uma cidade encantadora, seja pela ingenuidade de seus jardins ou no ritmo de vida que apesar de agitado não nos altera, me ensinou que a tempo de parar em uma praça e contemplar um belíssimo teatro, por exemplo, como o Carlos Gomes, e mais ainda descobrir quais os detalhes que uma cidade que nunca se teve proximidade podem ir se revelando aos poucos, seja numa lixeira, poste de luz ou a arquitetura alemã totalmente intacta.

Logo depois, aceitei aquela que foi a maior aventura de todos os tempos, fui buscar o teatro no lugar mais distante até então... PORTO VELHO, capital de Rondônia, sim, imagina... e sem verba para transporte aéreo, mas como nada é por acaso, enfrentei a aventura de peito aberto e com a confiança de sempre. Após dois dias e duas noites de viagem cheguei no ‘Amazônia Encena na Rua’, maior festival de teatro de rua do Brasil, aí foi um aprendizado atrás do outro, terra completamente nova e diferença da nossa Gerais, o calor típico da Amazônia é algo que realmente te impede até de pensar, mas nada que uma excelente piscina não resolva. Lá participei acidentalmente do meu primeiro festival de teatro, dois dias antes da apresentação entrei para substituir membros do grupo que não puderam viajar, um desafio e tanto, em se tratando da importância do Festival, e claro, não posso deixar de agradecer ao grupo Autônomos de Teatro pela confiança, e por juntos termos vencido esse grande desafio.
Conheci também o VERDADEIRO AÇAÍ, não me arrisquei nas comidas típicas amazônicas, mas pude me render ao açaí, essencialmente natural, preto e com gosto de barro, feito por índias e servido poucas horas antes da nossa apresentação no Festival.

A volta seria o maior aprendizado de todos, com enormes dificuldades técnicas com o transporte, quebramos próximo à cidade de Porto Esperidião no estado do Mato Grosso próximo à divisa com a Bolívia, sim, onde naquele momento estava acontecendo uma operação da Polícia Federal contra o tráfico de drogas e armas, a cidade estava sitiada, a população com medo até de sair na porta de casa, e até que nosso transporte voltasse à normalidade, ficamos lá sem informações concretas do que estava acontecendo, porém unidos, e aproveitamos a oportunidade, e tomamos a decisão de apresentar o espetáculo que havíamos levado ao “Amazônia Encena na Rua”, saímos pelas ruas da cidade, completamente vazias, cantando, batendo um bumbo e convidando as pessoas para assistirem ao espetáculo que em seguida iria acontecer na praça, lembro bem desse momento, as pessoas olhando desconfiadas pelas janelas e portas das casas, sem entender do que se tratava. Aos poucos as crianças foram se juntando e saíram batendo nas outras casas ainda fechadas convidando outras crianças para verem o teatro que tinha chegado. Foi um momento emocionante, pois senti na pele o quanto o teatro pode ser importante na vida das pessoas, e principalmente quando elas estão passando por momentos delicados, como era o caso. Apresentamos na praça, onde se juntou mais de 50 pessoas, a maioria crianças de várias idades, que se deliciavam com o que viam, participavam e se deixavam atingir pela nossa energia e boa intenção de levar um momento de descontração a elas.

Bem, depois desse momento tão memorável da minha vida, voltei para Uberlândia com grandes lições que só a vivência poderia me proporcionar.
Depois, voltei a alguns lugares importantes Salvador, Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo, todas as viagens muito produtivas e de crescimento artístico e pessoal. Por isso insisto em dizer que 2010 foi o ano das oportunidades, agarrei todas com afinco e aprendi muito com todas elas.

Este ano também foi o ano dos poemas, escrevi muito, produzi coisas interessantes, outras nem tanto, mas me atirei nesse universo da escrita sucinta e poderosa de sentidos, e o que me alegra é ver que as pessoas se identificaram com meus textos, e que eles serviram de vozes para estas pessoas externalizarem o que sentem. Para fechar o ano com chave de ouro, consegui algo que buscava já a algum tempo, um respaldo técnico sobre os poemas que escrevo, ele veio com o reconhecimento do III Prêmio Literário Canon de Poesia. Entre mais de 3.000 poesias inscritas, a minha “PROCURA-SE” foi uma das selecionadas para compor uma antologia poética que está sendo publicada e será lançada em São Paulo-SP no início de 2011. É o primeiro passo nesse rumo muito novo para mim, mas que espero vem com sucesso e traga bons frutos.
Esse foi apenas um recorte do que foi 2010, entre coisas muito boas, e ruins, faço uma avaliação positiva, resumindo em uma palavra: APRENDIZADO, e para terminar inseri abaixo um texto que recebi hoje de um amigo, que retrata o que andei pensando muito nos últimos dias... Boa leitura... E que venha 2011.


LIVRO NOVO

(Autor desconhecido)

Encerra-se mais um ano em sua vida...
Quando este ano começou, ele era todo seu.
Foi colocado em suas mãos...
Podia fazer dele o que quisesse...
Era como um Livro em Branco, e nele você podia ter um poema, um pesadelo uma blasfêmia, uma oração.
Podia...
Hoje não pode mais, já não é seu.

É um livro já escrito...
Concluído...
Como um livro que tivesse sido escrito por você, ele um dia lhe será lido, com todos os detalhes, e não poderá corrigi-lo.

Estará fora de seu alcance.
Portanto...
Antes que termine este ano, reflita, tome seu velho livro e folheie com cuidado...
Deixe passar cada uma das páginas pelas mãos e pela consciência;
Faça o exercício de ler a você mesmo.

Leia tudo...
Aprecie aquelas páginas de sua vida em que usou seu melhor estilo.
Leia também as páginas que gostaria de nunca ter escrito.
Não...
Não tentes arrancá-las.

Seria inútil...
Já estão escritas.
Mas você pode lê-las enquanto escreve o novo livro que será entregue.
Assim, poderá repetir as boas coisas que escreveu, e evitar repetir as ruins.

Para escrever o seu novo livro, você contará novamente com o instrumento do livre arbítrio, e terá, para preencher, toda a imensa superfície do seu mundo.
Se tiver vontade de beijar seu velho livro, beije.
Se tiver vontade de chorar, chore sobre ele e, a seguir, coloque-o nas mãos do Criador.

Não importa como esteja...
Ainda que tenha páginas negras, entregue e diga apenas duas palavras: Obrigado e Perdão!!!
E, quando o novo ano chegar, lhe será entregue outro livro, novo, limpo, branco, todo seu, no qual irá escrever o que desejar...

FELIZ LIVRO NOVO!

2 comentários:

Márcia Cristina Lio Magalhães disse...

Vim agradecer o coments deixado em meu blog. Procurei a tua poesia por aqui, queria lê-la, não encontrei...

Parabéns de novo!! Esse Prêmio é só o início de uma nova caminhada a caminho do sucesso...

Tim tim! Feliz Ano Novo!

Cristiano Sobrinho disse...

Olá Eduardo. Parabéns pelo blog e pelo texto. Encontrei seu blog no diretório do Blogger e li esse texto sobre 2010. Parabéns. Passa lá no meu blog depois. Tá paradinho por esses dias, mas tem um texto parecido, um pouco mais pessoal e lamurioso, mas do mesmo naipe. hehe

Um abraço

Cristiano Sobrinho
www.cristianosobrinho.blogspot.com