sábado, 21 de fevereiro de 2009

Delírios de uma noite ingrata


Hoje me sinto fraco, há horas ensaio o início do meu desabafo, não consigo começar de uma forma decente mas vai assim mesmo. A minha cabeça à mil não consegue concluir um pensamento sequer, eles se entrelaçam de um jeito que me apavora e me deixa sob um leve desespero. Quero dizer tudo ao mesmo tempo, deve ser isso que me trava e acabo com a frustração como prêmio de consolação.
Mas hoje vai ser diferente, me propus a pelo menos tentar, recorro agora a quem ultimamente anda me entendendo de uma forma descarada, a poetisa portuguesa FLORBELA ESPANCA... este é um dos meus poemas favoritos, em sua obra como um todo ela pioneiramente deixa transbordar o lirismo, o erotismo e a liberdade, traz a solidão e a mágoa presentes em sua alma...

21/02/2009 - 02:32h


Desejos vãos
FLORBELA ESPANCA

Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!

Eu queria ser o Sol, a luz intensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a Árvore tosca e tensa
Que ri do mundo vão e até da morte!

Mas o Mar também chora de tristeza...
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!

E o Sol, altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as Pedras... essas... pisa-as toda a gente!

Um comentário:

Antonina disse...

Oi Eduardo!
tudo bem?
Nossa... lindo o poema da Florbela!
Adorei seu blog tah mto bonito... voltarei aki mais vezes...
=****
t+